sexta-feira, 27 de agosto de 2010

MALA DE PANDORA





Outro dia, fui até a casa de minha mãe buscar mais coisas minhas deixadas por lá. Vasculhando e limpando, revivi momentos deliciosos da minha vida de estudante, vendo aqueles desenhos lindos, bem esboçados e cheios de sonhos. Entre risos e lágrimas, consegui desapegar de alguns projetos e decidi que pra minha felicidade atual, deveria permanecer ainda com alguns. Hoje, nesse mundo tão tecnológico, os atuais colegas de profissão já não sabem mais o que é a régua “T”, normógrafo, esfuminho, caneta Pentel, dentre tantos outros itens essenciais para o desenho de arquitetura. E olha que nem sou tão contemporânea assim viu? A cada geração, muda-se muito a tecnologia e os avanços pra fazer o projeto com mais velocidade, ganha a cada dia maiores proporções. Confesso que tenho saudades de fazer uma bela perspectiva com toda técnica aprendida e guiada por uma sensibilidade da maneira de desenhar de cada um. E confesso também que o Autocad ajuda muito!
Ainda nessse mesmo dia, na casa de minha mãe, encontrei uma mala bem antiga que guardava também muitas coisas. Dentro dela tinha trabalhinhos da pré escola, fotos, muitas fotos, um ferro antigo e muitas lembranças. Tive que me conter pra não deixar nada pra trás, por não tenho espaço físico para tantas coisas sentimentais. Mas eu queria a mala! Carrregada de boas recordações, essas mala representa mais que isso: ela trouxe do interior os sonhos de meu pai, que aos 19 anos veio para Belo Horizonte em busca de trabalho, família, felicidades e muita esperança. Eu, como sonhadora assumida, quis logo ter esse objeto bem perto de mim. Coloquei ali dentro minhas bonecas antigas, algumas fotos, o tal ferro, minha agenda de 15 anos! Que delícia! Já na minha casinha, ela ocupa um espaço especial na decoração e está no centro da minha sala de estar. Fechada, com tudo isso dentro. Coisas especiais guardadas que de vez em quando abro e leio um pedacinho do diário de uma adolescente. Em cima dela, revistas e livros com projetos atuais publicados que eu denomino de “Pilha da Fama”! (Tenho certeza que um dia a pilha vai crescer!)Não é por acaso.

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