sábado, 2 de outubro de 2010

BAÚ DA FELICIDADE

Era o ano de 1981 e eu tímida como era (e sou!) cheguei meio desconfiada na varanda. Morrendo de medo de alguém me ver e pior, vir falar comigo, espiei só de longe. E vi vindo lá de cima, do alto da rua onde morávamos, um buzinaço com muitos balões, muita gente e muita festa. Um barulho só. Meu pai desceu as escadas apressado, minha mãe não continha-se de tanta felicidade e minha irmã, já nem sei mais o que fazia. Chamando e acenando para todas nós irmos lá pra baixo de encontro com o acontecimento, papai foi abraçado e aclamado por toda a vizinhança como se ele fosse um herói. E foi mesmo, só que essa é uma outra história.
Depois da carreata percorrer por todas as ruas do bairro, lá estávamos nós reunidos ao redor de todas as pessoas do quarteirão, quem sabe do bairro inteiro, ouvindo o locutor falando bem alto ao microfone. Tentei até me esconder atrás de minha mãe, mas não teve jeito. A festa era para todos nós mesmos. Não dava pra acreditar: meu pai havia sido sorteado no Baú da Felicidade, aquele do Silvio Santos e o prêmio era o maior e o melhor daquela época: uma Brasília verde oliva que cintilava nos olhos de meu pai. Parecia inacreditável. E claro que entramos e fomos dar o primeiro de muitos passeios e aventuras dentro da Brasília. Quantas histórias.
Lembro bem que em todos os lugares que íamos, as pessoas que já sabiam do tal acontecimento, acenava para nós. Acho que já vivi meus 15 minutos de fama. Eu e minha irmã éramos as “Meninas do Benoni” que havia sido premiado com uma Brasília. E quem não sabia desse episódio, meu pai contava o evento com muito orgulho. Foi divertido.
Mesmo após a perda de meu pai, a Brasília continuava lá em casa. Minha mãe fazia questão de permanecer com ela. Até que um dia, meu tio acidentou-se e tivemos que desfazer do bem. O conserto ficaria muito caro, não tínhamos dinheiro, mas sim, outras prioridades. A coitadinha não tinha seguro de vida.
Sortudo, meu pai ganhou também uma televisão. Foi em um sorteio de natal. Cara de sorte. Achei um luxo ter uma televisão de 14” no quarto! Nunca teve um defeito e hoje ela está aqui na Casinha. Funcionando muito bem!
Eu, pra não falar que nunca ganhei nada em sorteio, fui premiada no ano passado com 02 quadros, quer dizer, quadrinhos, mas pode ter certeza que fazem toda diferença aqui em casa! Curto tudo o que tenho e tento fazer dessas pequenas coisas, motivos para muita alegria. Eles são um charme e emprestam seu colorido em meu quarto e no lavabo. São irmãos gêmeos, mas não univitelinos. Por isso estão separados. Mas como nada é para sempre, daqui a pouco, mudo o lay out!


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