quarta-feira, 6 de outubro de 2010

EM QUE ÉPOCA ESTAMOS MESMO?

Às vezes acho que nasci na época errada. Tenho um gosto apurado por objetos e coisas gerais que tem um cheiro diferente, um uso que virou outro uso do avesso e que mostra características de história, tempo.
Outro dia, passeando pelas ruas da cidade de São Paulo e vendo aqueles casarões lá no Jardins, desejei ter nascido na década de 30, 40. Mas queria ser rica! Claro. Queria morar em um daqueles casarões que marcam a arquitetura eclética no Brasil, misturando Art Déco, Art Nouveau, tudo misturado, mas muito chique. Sem muros altos, apenas um portão baixo com traços de desenhos orgânicos para delimitar a calçada e muito jardim antes de chegar à porta de entrada da casa. Sentir o perfume das flores, apreciar o banho do sol da manhã enchendo de vida o verde, sentar-me no banco de madeira cuidadosamente posicionado debaixo de uma árvore e de preferência, paisagismo assinado por Burle Marx. Ser informada pela governanta bem baixinho que o chá já ia ser servido e entrar bem devagar para dentro de casa, segurando o vestido que torneava o corpo de uma maneira muito elegante e refinada. Sentar-me à mesa e tomar o famoso chá das cinco em porcelanas pintadas e importadas pelos navios, tudo sem pressa.
Mas queria ser antenada. Nada de bobinha. Queria saber sobre as estrelas do cinema, dos desfiles de Paris, conversar com os homens sobre a recuperação da crise de 29, sobre Hitler e Getúlio Vargas. Divertir-me com Charles Chaplin. Acompanhar a vanguarda das artes pós movimento da Semana de Arte e receber em minha casa artistas, intelectuais e gente de vanguarda. Uma autêntica romântica lançadora de tendências.
Voltando para o ano de 2010, identifico muito meu espaço com elementos de época, misturo com peças atuais, realçando um estilo vamos dizer assim, eclético contemporâneo. Não importa. A Casinha tem minha personalidade e minha maneira de interpretar o meu jeito de morar. Assim como acontece nas artes. Cabe a interpretação, a sensibilidade de cada um para entender uma obra.
Sento-me hoje em um banco de madeira original, creio eu, da década de 70 ou 80. Lembra um banco do colegial. È emprestado e já passou por todas as casas aqui da minha vizinhança. Tem história para dialogar. Combina comigo, com meu dia a dia e minhas referências. Dentro da sala, vira-se de frente para a árvore grande e recebe os convidados em dia de casa cheia. Sento-me nele para ler as notícias do dia e às vezes, nem sento. Só aprecio. Preenchi seu espaço com almofadas coloridas e ele está esperando sua companhia: o sofá. Logo logo ele chega e vou ter mais um pedacinho pra mostrar e inventar uma história para contar.

Um comentário:

giulia doti disse...

tia zi sua casa e maravilhoza eu amei de verdade tudo
parabens com amor giulia doti