sexta-feira, 5 de novembro de 2010

IDENTIDADE REVELADA

Descobri sem querer. Fui buscando em minhas memórias o tom que aquele jeito doce, simples, engraçado e inocente olhava pra mim. E nem precisava falar nada. Só um olhar ou o jeito de posicionar com a cabeça para o lado. Surpreendentemente simples. Uma mania impressionante de conquistar as pessoas com um simples gesto ou apenas com sua chegada. E já basta.
Na minha infância Os Trapalhões passava na TV Globo aos domingos antes do Fantástico. A abertura do programa era tipo um desenho animado. Adorava. Mas por outro lado anunciava o final do fim de semana e no dia seguinte era dia de acordar cedo para aula. Tristeza. Segunda feira é segunda feira, não tem jeito.
Eu tinha meu lugar marcado no sofá. Deitava antes, ocupando todo o sofá, pra guardar o lugar de meu pai. Era hora de repousar minha cabeça no colo dele e garantir um carinho antes de dormir. Todos nós lá em casa assistíamos ao programa e na abertura do Fantástico já era hora de começar o tal cafuné. Preparo de uma noite de sono tranqüila. Era gostoso. Isso se repetia todos os domingos. Meu pai adorava o Didi e ria como criança. Eu também. Ria da risada dele.
E continuo rindo. Rindo do jeito inquieto, ansioso e engraçado do Danilo. Humor simples. Rio da maneira que ele tem em permitir que todos os momentos sejam especiais, mesmo aqueles que naturalmente são permitiriam. Desarma qualquer cara feia. Não tem braveza que resolva. Tornar a vida mais fácil de viver é o grande segredo. Para poucos, é claro. E ele é especialista no assunto. Rio de trapalhadas que pareceriam idiotas, rio de uma bobagem qualquer ou por ter me lembrado de uma palhaçada antiga. Rio sozinha na rua e parada no trânsito. Rio por saber que tenho esse privilégio e por ele estar comigo. Por ser um presente leve na viagem da minha vida. Ele me rouba um sorriso na alma e muitas vezes exalo uma gargalhada infinita e alta. Sem cerimônia. Estampo no rosto um sorriso para encontrá-lo, porque sei que ele vai querer.
Conquista simples assim. Sinto que ele é pra mim, o verdadeiro Didi Mocó!

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