domingo, 14 de novembro de 2010

OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES

Na época em que não existiam os computadores, as brincadeiras eram as mais diversas possíveis. Diversas e cheias de criatividade. E põe criatividade. Brinquei de boneca até meus doze anos. Só parei de brincar de casinha depois que fiquei mocinha. Aquela transformação no meu corpo disse baixinho dentro de mim que era hora de abandonar minha querida infância e mudar de etapa. Mas eu não queria não! A brincadeira estava tão boa!
 Mas não brincávamos apenas de casinha não. As brincadeiras incluíam pique esconde, rouba bandeira, pular elástico, ensaio de dança e posterior apresentação  para nossos pais. Os ensaios eram diários e a vizinha da frente era a coreógrafa.  Achava o máximo!  Fui até pra televisão! O programa era da Tia Dulce e fomos fazer nosso espetáculo ao vivo.  Nem acreditei quando o pai da vizinha da frente conseguiu agendar nosso horário. Quanta responsabilidade. Quanta emoção. Ensaiamos muito uma música do disco Os Saltimbancos Trapalhões. A música escolhida foi Hollywood. Quer nome melhor para uma estréia na TV? A história relatava as aventuras de funcionários simples que se tornam a grande sensação do circo Bartolo graças à sua incrível capacidade de fazer o público rir. História cheia de desafios. Uma daquelas histórias que todos nós deveríamos assistir quando crescidos. Mais umas das aventuras de Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. E lá fomos nós: eu, minha irmã, as duas vizinhas da frente e um primo nosso.  Lembro que fiquei aflita e muito ansiosa nos dias que antecediam o tal acontecimento e meu pai foi o responsável de nos levar até o palco. Minha mãe ficou em casa nos assistindo pela tv que era preto e branco. Mas ela viu cores na tela. Fizemos tudo direitinho e foi inacreditável estar nos bastidores da televisão. Fomos aplaudidos de pé. Pra mim, foi assim. Na verdade nem me lembro. Faz de conta que sim. Era o ano de 1981. Inesquecível.
Como a brincadeira estava tão boa, agora me deparo brincando de Casinha de novo! E com muita responsabilidade. É impressionante como a vida da gente é em forma de círculo. Os acontecimentos vão e vem. Os que foram significativos ficam sempre circulando com a nossa energia e de vez em quando permite-se ser lembrado para ser vivenciado de outra maneira. Agora tudo o que não foi solucionado, anda na contra mão e uma hora bate de frente dando outra oportunidade para ser revisto. Com outro olhar e permitindo outra maneira de resgatar valores, questionamentos que só o tempo pode trazer de volta. Oportunidade de aprimorar. Oportunidade de ser melhor. É o círculo da vida.
Cumã?
Acesse o link para ver um trecho da música

2 comentários:

Valéria disse...

Hoje li o seu blog e simplesmente achei maravilhoso!!!!
Este dos Saltimbancos é nostálgico!
Parabéns Zi pelo blog.
Quando era criança, ganhei um gravador do meu pai e ficava ao lado da TV para gravar esta música.
Valeu!

Um grande abraço,

Valéria

Zi disse...

Obrigada querida, pelo carinho! bjs Zí