quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

CHEIRO DE INFÂNCIA

Lá na infância, vez ou outra, recordo-me de algumas histórias. No campo das sensações, alguns sentidos me envolveram fortemente. Um deles em especial é o olfato. Lembro com muita clareza e em minhas narinas um cheiro forte, inconfundível e sedutor: o cheiro de café.
Meu pai nasceu no interior de Minas e foi em um distrito, na verdade um povoado, até hoje denominado Japão Grande. Não consigo nem explicar o porque do nome. Mas é assim. E Também não adianta procurar no Google Maps... não vai encontrar. Mas pode ter certeza que existe!
Ainda muito jovem, chegou na capital, Belo Horizonte, munido de uma mala, um sonho e uma esperança. O primeiro emprego que durou a vida inteira, começou fazendo pequenas entregas de café a bordo de uma bicicleta. Tenho certeza que feliz da vida! Característica dele. E também muito perseverante. Outro dom maravilhoso.

Cresci com esse aroma. Cresci com esse paladar. Cresci vendo-o preparando o café todas as manhãs. Cheiro bom.

Formou uma família só de mulheres e era ele que tinha que encontrar maneiras diferentes de sobressair bem nesse universo feminino. E olha que ele fez isso com mestria! Saudade.

Hoje na Casinha, sou eu quem prepara o café da manhã. Gosto do café forte, daqueles pra partir com faca! Gosto de me envolver nos aromas, nas lembranças, nas histórias vividas. Preparo com gosto.
Aqui, o Danilo também tem que se virar pra dar conta de tantas mulheres ao redor.
Primeiro eu, depois minha mãe, minha irmã e minhas duas lindas sobrinhas. Durante muito tempo, ainda tinha minha (única avó viva) avó materna que eventualmente morava conosco. E não satisfeito, lá na casa dele, minha sogra e sua única irmã! No total, somos 8 contra 1! Covardia? Nada! Ele consegue sobressair de um jeito muito sedutor, com muita categoria e principalmente com um humor de dar inveja! É... mas mesmo assim, o mundo é das mulheres!

Danilo sempre falou que gostaria de ter conhecido meu pai. Ouvir isso, me faz feliz.  Ele é capaz de conversar horas a fio falando de uma pessoa que ele não conheceu e com a mesma veracidade de quem conviveu com ele. Acho que eles seriam amigos. Dois caras legais. Teria sido muito gostoso pra mim, ter podido desbravar um pouco mais desse universo masculino.

Na linha da vida, alguns anos os separam, mas é só uma questão de tempo.

2 comentários:

Angela Bergamaschi disse...

bjo

Zi disse...

Obrigada pela visita! um beijo grande pra vc!