sábado, 30 de outubro de 2010

ERA UMA VEZ UM LAVABO

Era uma vez um lavabo com cerâmica azul da meia parede pra baixo e branco na outra metade. Sem graça que só ele... Estava doidinha para renová-lo com algo criativo e porque não com minha cor predileta: amarelo! Essa cor traz aconchego, luz, traz bom humor!
E aqui está ele totalmente renovado: antes de tudo, bem humorado, com espelhos com ar retrô, luminária (lá do Mercado central) que favorece uma luz com ar psicodélico e estimula a percepção e os sonhos. Tudo junto e misturado, diferenças que combinam entre si e comunicam-se.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

CADA COISA EM SEU LUGAR

É surpreendente como as coisas acontecem na vida da gente. Às vezes o que planejamos não representa o que realmente está reservado pra nós. Ano passado, estava planejando com muito cuidado e vontade a realização da cerimônia do meu matrimônio e por ironia, o que deveria vir depois, que é a casa, aconteceu antes e atropelou a etapa anterior. E estou achando ótimo! Entendi que os ventos não estavam a favor e estava difícil lutar sozinha. Aprendi que na vida temos a liberdade de escolha e como temos muitas opções, temos que ser justos para escolher o melhor no momento no momento certo. Mas o que é certo? Pode ser que depois, lá na frente, fora da situação, enxergamos com outros olhos. Mas é difícil escolher. E estamos aqui nesse mundo exatamente para isso: liberdade de escolha, aprimoramento e merecimento. As escolhas podem ser doídas, mas depois podem virar um presente lindo... vai saber. É só vivendo mesmo.
Estava desesperada para comprar uma mesa grande. Até então, só estava com aquela da cozinha na medida de 80x50cm. Só para duas pessoas. Planejei nos sonhos de uma arquiteta para a sala de jantar uma mesa Saarinen. Adoro! E meu projeto contemplava lá no quintal uma mesa de madeira de demolição grande para mais pessoas em dia de festa. Comprei a tal mesa e não ficou bom. Fugiu do planejado.  Quando ela chegou, o quintalzinho já havia definido seu espaço: todos queriam era a mesa pequenininha da cozinha debaixo da cobertura de esteira lá do Mercado Central. Aquela atmosfera definidora não contemplava uma mesa grande. Solução? Cá está ela na sala de jantar. Confesso que está muito bem aqui nesse espaço com cadeiras de ar campestre. E todos aprovaram. Nem parece a mesma. A Saarinen vai ficar pra depois. Vai existir um lugar onde eu e esse objeto de desejo vamos nos encontrar.

domingo, 24 de outubro de 2010

QUASE TUDO DEPOIS

Como somos apenas duas, meu pai apresentava-nos como a “mais velha e a caçula”, e não existia nenhuma no meio entre nós. Eu, a caçula. Morria de vergonha de apresentações, queria ser invisível nessa hora. Aliás, invisível sempre que encontrava gente que não conhecia.
 Depois de quase dois anos após a minha irmã, eu nasci. Era um verdadeiro anjinho de candura. Só naquela época de bebê. É claro que minha irmã aprendeu a andar, falar e eu só depois. E foi na primeira escola, o Castelinho Vermelho, que eu sonhava em estudar. Um mundo mágico, lúdico, em que minha irmã foi estudar primeiro e eu depois. Mas não durou muito tempo não, saí desse castelo encantado quando minha irmã foi para a primeira série em outro colégio e eu entendi que deveria sair também e fui completar o pré primário no Pinóquio. E tinha que começar tudo de novo: novas apresentações para novos coleguinhas. Tarefa difícil pra mim. Só fui mudar de escola depois, e novamente esse temor pelo inesperado. Tinha medo de me perder naquele colégio enorme que tinha no pátio duas árvores enormes que faziam muita sombra, e novamente novos coleguinhas e no primeiro dia de aula, a tal das apresentações. Falar o que de mim?
Minha irmã começou a namorar ainda adolescente e eu bem depois. Meu pai era ciumento. Quase infartou quando viu o primeiro beijo da minha irmã. Era um sacrifício para ele. Ela casou-se com esse único namorado e eu ainda não. Não oficialmente, casei-me com o compromisso do amor e da felicidade, meu altar é o meu coração. A burocracia vou deixar para depois. Ela tem duas filhas e uma delas já adolescente. A outra pré adolescente. Os meus, ainda estou deixando pra depois. E já está virando muito depois. Se o tempo deixar, serão “os meus” e se não, “o meu” já está bom. Serei boa mãe, mas tenho certeza que o Danilo será um pai maravilhoso, assim como o meu. Tive e tenho sorte. Obrigada meu Deus!
Minha irmã conseguiu a habilitação para dirigir primeiro e eu depois. Para mim, na prova oral, bastou apenas uma pergunta: “você está preparada?" E eu entendi " o que é uma parada?" Como respondi prontamente, a ansiedade me ajudou. Já no exame de rua só passei depois do terceiro, nesse caso a ansiedade só atrapalhou.
Minha irmã formou sua família, seu lar, mudou-se e mora hoje em Salvador. Pra mim, só aconteceu depois, bem depois. Ela também entendeu bem antes a transformação que isso faz em nossas vidas. Eu só consegui entender quinze anos depois. Cada uma no seu tempo.


sábado, 23 de outubro de 2010

LÁ NA INFÂNCIA

Minha mãe casou-se na década de 70 e minha irmã nasceu três anos depois. Já eu, nasci um ano de dez meses após, quando minha irmã estava se equilibrando para andar. Como minha mãe tinha que me carregar para resolver seus assuntos lá na cidade, minha irmã tinha que ir andando mesmo. Não tinha bebê conforto, minha mãe ainda não dirigia e tinha que se equilibrar para dar conta. Mas lá em casa sempre tinha o dinheiro do taxi para todas as emergências, porque não existia celular e meu pai trabalhava em serviço externo. Não adiantava deixar recado na empresa que trabalhava. Quando ele chegava em casa, estava tudo resolvido. Todos os dias tinham muito assunto e novidades na hora do jantar.
Eu era um bebê bonzinho. Não chorava. Aliás, só chorava quando estava com fome. Meu cabelinho ficava todo embolado no berço e para minha mãe saber se eu estava acordada, tinha que ir até o quarto para verificar. Ela morria de dó de me deixar lá brincando sozinha, mas como minha irmã chorava o tempo todo, era a solução. Eu e meu mundinho. Qualquer coisa me divertia e distraia. Acho que é por isso que tenho na parte de trás do meu cabelo uma mecha de cabelo que só fica embolada. Haja escova e chapinha.
Na nossa infância, minha irmã tinha que me incluir nas brincadeiras com suas amigas. Como era mais velha, tinha que cuidar de mim. Brincávamos na rua ou íamos para a vizinhança e como nunca cumpríamos o horário da volta pra casa, minha mãe era obrigada a chamar pelo nosso nome. Nosso nada, ela só chamava o nome da minha irmã, mas estava subentendido que eu também estava incluída. Até que um dia minha irmã se rebelou e disse que tinha que chamar meu nome também. Minha mãe até tentou, mas a sonoridade não combinava. O nome da minha irmã é composto e o meu não. Já bastava isso.
Crescemos juntas e minha mãe insistiu que eu e minha irmã deveríamos dormir em um quarto só. Por isso nosso quarto era muito grande. Mas na adolescência eu queria fazer uma parede no meio para dividir. Ficava imaginando uma parede invisível e afirmava categoricamente que aquela parede existia. Só na minha cabeça.
Aqui na Casinha o quarto é grande, enorme! Mas nem penso em dividir nem em meus sonhos e nem em minha imaginação. E está do jeitinho que eu quero. Só falta a tal bèrgere que ainda habita os meus sonhos. Acho que o gostoso é justamente isso: esperar ansiosamente, curtir a falta que faz e compor tudo aos pouquinhos. Assim, sempre tem novidade!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

VERMELHÃO

Lá em casa há muito tempo atrás, na área de serviço, meu pai fez como acabamento no piso, cimento com pó xadrez. Dia de sexta feira era dia de encerar com cera vermelhão e ficava lindo!
Aqui em casa, a escada e piso da área de serviço estavam assim meio sem graça, totalmente sem charme. Tudo de cimento. E porque não o vermelhão? Sugestão da mamãe. Aqui sexta feira é dia de encerar e também tá lindo!

sábado, 16 de outubro de 2010

VIDA EMPRESTADA

O banco de madeira com ar de colegial foi o primeiro que chegou. Aliás, ele nunca saiu daqui, é emprestado do Bernardo, proprietário desse mundinho.
O tapete, veio em sequência e é emprestado da minha sócia Patrícia. Com esses dois elementos já pode dizer que se configura uma sala. Sala não, melhor lounge, assim dá pra dançar!
A mala que faz a vez de mesa central peguei emprestada com meu pai. Juro que ele me emprestou! Fui eu mesma que psicografei a mensagem.
O sofá acabou de chegar: peguei emprestado com minha mãe, mas as almofadas são minhas, comprei.
Agora minha criatividade peguei emprestada comigo mesma, mas minha sensibilidade é de meu pai e já minha braveza é de minha mãe.
Os traços de meu rosto são emprestados de meu pai, a genética do meu corpo é herdado de minha mãe.
Minha determinação é emprestada de meu pai e já minha coragem em enfrentar a vida, é de minha mãe. A ansiedade com certeza é de meu pai, mas ainda não consegui pegar emprestado dele tamanha simplicidade e generosidade.
De minha mãe peguei emprestado também a impaciência, mas meu pai me emprestou o comprometimento e determinação.
Meu humor é de meu pai e minha firmeza é  emprestada de minha mãe. A ansiedade é emprestada de meu pai e já a vaidade não consegui pegar emprestada de minha mãe.
Agora minha TPM é emprestada de meus hormônios.
Minha tolerância e delicadeza tento pegar emprestados de minha irmã e a doçura ás vezes consigo só um pouquinho da Bruninha. E a atitude é com certeza da Brendinha!
Da amiga Simone, peguei emprestada a vontade de viver a vida e da amiga Renata peguei emprestado a alegria (muita alegria!) e a compreensão. Da querida Camilinha pego emprestado o encantamento pelo simples e do amigo João, ele me empresta os olhos pra enxergar a vida do lado do avesso.
Da amiga Fernanda, peguei emprestada a vontade de escrever um texto com sensibilidade e verdade, desde Milho Verde; e da amiga Chris e da prima Elaine peguei emprestado a vontade de lidar com o trabalho com bravura. E da amiga Alessandra, pego emprestado uma pausa para o sono.
Da Patrícia, a mesma do tapete, tento pegar emprestado a maneira de tentar enxergar a vida de um ângulo mais fácil e mais doce.
Da vida, peguei emprestada a dureza, a intolerância, a incompreensão,a perda, a falta de razão e insensatez. Mas também peguei emprestados a poesia, o sonho, a liberdade, a verdade, a coragem,o perdão e muita esperança.
Do amor Danilo, pego emprestado o lado bom da vida, mas também não consegui pegar emprestado tamanha generosidade e juntos emprestamos uma ao outro a felicidade!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

SOBRE AS TENDÊNCIAS

Como surgem as tendências? Na maioria das vezes são atitudes comportamentais e estão aliadas às questões da história e acontecimentos da humanidade.
Por exemplo, após o ataque às Torres Gêmeas, surgiram novos conceitos no mundo todo, dentre eles, um novo conceito de morar e novos conceitos nos padrões de beleza e moda. (Eu entendo que sempre há uma co-relação entre moda e arquitetura). Após períodos de crises, há uma tendência do repensar a vida e percebo que as pessoas tem uma ânsia pelo novo, ousar, fazer de novo e reinventar. Há um sentimento de valorização das pessoas, da casa, dos ambientes de encontro como a cozinha e o jardim.  Assim sou eu na Casinha!

Na arquitetura, atualmente, há uma tendência do uso de cores como uma maneira de trazer “felicidade” para dentro de casa. Isso pode ser visto como um reflexo da crise financeira de 2008 que produziu uma série de conseqüências na vida das pessoas, mas contribuiu positivamente para um olhar diferente para o ser humano e valorização de encontros dentro de casa. Naturalmente e de maneira intuitiva, a casa toma novos ares e firma-se como um laboratório de tendências, pois reflete a personalidade do morador e as pessoas absorvem e fazem a leitura do espaço com o jeito de viver e morar de cada um.

Dica: os encontros nos quintais é a melhor maneira de interagir e buscar essas inspirações.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

CULTURA NA CASINHA

Moramos a vida inteira em um bairro aqui de BH fora (bem fora!) dos limites da Av. Do Contorno. Pra quem não sabe, a cidade de Belo Horizonte teve seu traçado urbanístico inspirado no modelo da cidade de Washington, sistema de ruas um xadrez, ao qual foi sobreposto outro de avenidas que cruzam as ruas formando um ângulo de 45o, em que a Av. do Contorno representava o limite. Só não imaginaram que a cidade em tão pouco tempo cresceria além do esperado.
O centro da cidade ficava bem longe da minha casa e quando minha mãe tinha que resolver algum assunto de casa, dizia sempre que ia "lá na cidade". Pra gente, isso era muito comum. Anos mais tarde, já na faculdade isso soava estranho pra todo mundo, "como assim ir lá na cidade???"
Nesse trajeto de casa para a "cidade", o ônibus passava por outros bairros e lembro bem de como observávamos o entorno. Eu e minha irmã prestávamos atenção nas construções, nas interferências do traçado urbanístico com a construção do Elevado Castelo Branco e em especial nas casas construídas. E tem uma em especial que elegemos como nossa casa. Apenas 01 andar, ar de retro e gradil com movimentos orgânicos para proteção de portas e janelas. Considerando nossa inocência, achei que seria fácil pedir ao nosso pai para comprar aquela casa. Como não foi possível, sonhar já tava bom demais!

Hoje, continuo gostando do retro, vintage, atmosfera com cheiro do antigo e de tudo aquilo que tem uma história para contar. Gosto de misturar. Gosto de design, peças conceitualmente bem elaboradas, divertidas: irmãos Campana! E gosto também do Bertóia, Mies Van der Rohe, Verner Panton, o movimento da Bauhaus, gosto bem da década de 30. Gosto do Art Déco.
Tive a sorte de encontrar um imóvel totalmente nesse estilo. Não me encantei à toa. Tudo nessa vida tem conectividade e acredito que nada vem por acaso.
Mas o que é o Art Déco? Brevemente: é uma expressão francesa referente à arte decorativa, da década de 30, considerado para muitos um movimento eclético que se difundiu rapidamente pelo mundo. Por estar ligado à vida cotidiana (objetos, mobiliário, tecidos, vitrais) se associou à arquitetura, ao urbanismo, ao paisagismo, à arquitetura de interiores, ao design, à cenografia, à publicidade, às artes gráficas, à caricatura e à moda; enfim praticamente a tudo! A arquitetura art déco possui fachadas com rigor geométrico e ritmo linear, com fortes elementos decorativos e geometrização das formas. Exemplos: Edifício Acaiaca, Cristo Redentor e a Casinha. Agora que tudo ficou bem claro posso afirmar que a Casa da Zi também é cultura!




quarta-feira, 6 de outubro de 2010

EM QUE ÉPOCA ESTAMOS MESMO?

Às vezes acho que nasci na época errada. Tenho um gosto apurado por objetos e coisas gerais que tem um cheiro diferente, um uso que virou outro uso do avesso e que mostra características de história, tempo.
Outro dia, passeando pelas ruas da cidade de São Paulo e vendo aqueles casarões lá no Jardins, desejei ter nascido na década de 30, 40. Mas queria ser rica! Claro. Queria morar em um daqueles casarões que marcam a arquitetura eclética no Brasil, misturando Art Déco, Art Nouveau, tudo misturado, mas muito chique. Sem muros altos, apenas um portão baixo com traços de desenhos orgânicos para delimitar a calçada e muito jardim antes de chegar à porta de entrada da casa. Sentir o perfume das flores, apreciar o banho do sol da manhã enchendo de vida o verde, sentar-me no banco de madeira cuidadosamente posicionado debaixo de uma árvore e de preferência, paisagismo assinado por Burle Marx. Ser informada pela governanta bem baixinho que o chá já ia ser servido e entrar bem devagar para dentro de casa, segurando o vestido que torneava o corpo de uma maneira muito elegante e refinada. Sentar-me à mesa e tomar o famoso chá das cinco em porcelanas pintadas e importadas pelos navios, tudo sem pressa.
Mas queria ser antenada. Nada de bobinha. Queria saber sobre as estrelas do cinema, dos desfiles de Paris, conversar com os homens sobre a recuperação da crise de 29, sobre Hitler e Getúlio Vargas. Divertir-me com Charles Chaplin. Acompanhar a vanguarda das artes pós movimento da Semana de Arte e receber em minha casa artistas, intelectuais e gente de vanguarda. Uma autêntica romântica lançadora de tendências.
Voltando para o ano de 2010, identifico muito meu espaço com elementos de época, misturo com peças atuais, realçando um estilo vamos dizer assim, eclético contemporâneo. Não importa. A Casinha tem minha personalidade e minha maneira de interpretar o meu jeito de morar. Assim como acontece nas artes. Cabe a interpretação, a sensibilidade de cada um para entender uma obra.
Sento-me hoje em um banco de madeira original, creio eu, da década de 70 ou 80. Lembra um banco do colegial. È emprestado e já passou por todas as casas aqui da minha vizinhança. Tem história para dialogar. Combina comigo, com meu dia a dia e minhas referências. Dentro da sala, vira-se de frente para a árvore grande e recebe os convidados em dia de casa cheia. Sento-me nele para ler as notícias do dia e às vezes, nem sento. Só aprecio. Preenchi seu espaço com almofadas coloridas e ele está esperando sua companhia: o sofá. Logo logo ele chega e vou ter mais um pedacinho pra mostrar e inventar uma história para contar.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A FELICIDADE MORA AQUI

No seminário que aconteceu semana passada em São Paulo “A Felicidade mora aqui”, designers, arquitetos, jornalistas e filósofos reuniram-se para discutir sobre o tema. Lendo sobre as reportagens, percebi que o grande conceito atual é fazer de nossas casas um “lar”, ocupar os espaços com personalidade, resgatar memórias afetivas, lembranças, heranças que permitem dar asas à imaginação. Devemos experimentar e aliar o bom gosto à dinâmica do espaço, criar, recriar e fazer novos usos.
O conceito de casa moderna permite objetos de design, reaproveitamento de móveis, ajuda de um profissional da área já que muitas vezes as pessoas sabem o que querem e não sabem como imprimir as idéias para a criação do ambiente. E o mais importante: ter intuição. Seguir nossos sentimentos nessas misturas faz com que a casa se torne um refúgio gostoso de estar, confortável, aconchegante e feliz!
Acho muito mais gratificante escutar de meus amigos, familiares e pessoas queridas que frequentam minha casa, que eles se sentem muito bem por estar aqui comigo, compartilhando momentos deliciosos, do que recebendo elogios pela decoração. Mesmo porque, minha obra está inacabada. É mais realizador pra mim, a ambientação e construção de espaços gostosos de estar. Estamos em processo de construção dos espaços e acho uma delícia vibrar com cada pedacinho novo, cada móvel, garimpar cada peça ou até mesmo acompanhar diariamente a evolução e crescimento de minhas plantinhas. Isso pra mim é uma terapia confortável. Permitir-se um tempo para acompanhar a evolução do crescimento de uma planta desde o plantio até o desabrochar de uma flor, é um luxo simples.

Olho para as pessoas nas ruas e percebo que nos dias atuais, todos adoram dizer que não tem tempo para nada. Acatam isso como glamour! O estresse cotidiano, os aparelhos eletrônicos, o falatório ao celular andando de um lado para o outro, tira a atenção das coisas simples da vida. A todo o momento todos querem checar seus emails, o imediatismo tomou conta do mundo. Todos estão apressados e tudo tem que ser rápido. Não há o que esperar.
Não quero ser engolida e estou tentando (e conseguindo!) perceber meu espaço, minha rotina, minha vida, encantar-me pelo simples, vibrar com o nascimento das flores, perceber o trabalho das abelhas e dos pássaros na luta pela sobrevivência. Estou prestando mais atenção em mim e na pessoa que está comigo que me encanta e que todo dia e a todo o momento me rouba uma risada com suas trapalhadas e faz da minha vida mais colorida. Isso sim é glamour! É o que me faz feliz.




sábado, 2 de outubro de 2010

BAÚ DA FELICIDADE

Era o ano de 1981 e eu tímida como era (e sou!) cheguei meio desconfiada na varanda. Morrendo de medo de alguém me ver e pior, vir falar comigo, espiei só de longe. E vi vindo lá de cima, do alto da rua onde morávamos, um buzinaço com muitos balões, muita gente e muita festa. Um barulho só. Meu pai desceu as escadas apressado, minha mãe não continha-se de tanta felicidade e minha irmã, já nem sei mais o que fazia. Chamando e acenando para todas nós irmos lá pra baixo de encontro com o acontecimento, papai foi abraçado e aclamado por toda a vizinhança como se ele fosse um herói. E foi mesmo, só que essa é uma outra história.
Depois da carreata percorrer por todas as ruas do bairro, lá estávamos nós reunidos ao redor de todas as pessoas do quarteirão, quem sabe do bairro inteiro, ouvindo o locutor falando bem alto ao microfone. Tentei até me esconder atrás de minha mãe, mas não teve jeito. A festa era para todos nós mesmos. Não dava pra acreditar: meu pai havia sido sorteado no Baú da Felicidade, aquele do Silvio Santos e o prêmio era o maior e o melhor daquela época: uma Brasília verde oliva que cintilava nos olhos de meu pai. Parecia inacreditável. E claro que entramos e fomos dar o primeiro de muitos passeios e aventuras dentro da Brasília. Quantas histórias.
Lembro bem que em todos os lugares que íamos, as pessoas que já sabiam do tal acontecimento, acenava para nós. Acho que já vivi meus 15 minutos de fama. Eu e minha irmã éramos as “Meninas do Benoni” que havia sido premiado com uma Brasília. E quem não sabia desse episódio, meu pai contava o evento com muito orgulho. Foi divertido.
Mesmo após a perda de meu pai, a Brasília continuava lá em casa. Minha mãe fazia questão de permanecer com ela. Até que um dia, meu tio acidentou-se e tivemos que desfazer do bem. O conserto ficaria muito caro, não tínhamos dinheiro, mas sim, outras prioridades. A coitadinha não tinha seguro de vida.
Sortudo, meu pai ganhou também uma televisão. Foi em um sorteio de natal. Cara de sorte. Achei um luxo ter uma televisão de 14” no quarto! Nunca teve um defeito e hoje ela está aqui na Casinha. Funcionando muito bem!
Eu, pra não falar que nunca ganhei nada em sorteio, fui premiada no ano passado com 02 quadros, quer dizer, quadrinhos, mas pode ter certeza que fazem toda diferença aqui em casa! Curto tudo o que tenho e tento fazer dessas pequenas coisas, motivos para muita alegria. Eles são um charme e emprestam seu colorido em meu quarto e no lavabo. São irmãos gêmeos, mas não univitelinos. Por isso estão separados. Mas como nada é para sempre, daqui a pouco, mudo o lay out!