sábado, 27 de novembro de 2010

NOSSO LAR

Nossa casa deve refletir uma sensação de bem estar, um porto seguro. É no nosso lar que revelamos nossa intimidade, jeito de viver, revelamos nossa descontração com as pessoas que chegam e acolhemos com conforto e simplicidade.
Nos detalhes, enxerga-se o charme. O charme simples de uma almofada colorida, o charme de uma peça de herança de família, o charme de uma idéia inusitada que empresta o glamour necessário para encantar o olhar e aguçar os sentidos.
Da cozinha com jeito de sala, lugar de receber, sinto o cheiro da comida boa e o prazer conversas, do bate papo, onde os segredos são revelados. A mesa posta com delicadeza convida sempre para sentar-se, sentir-se a vontade e as bebidas bem escolhidas, torna o ambiente permissivo para brindar a vida.
Do quintal, vejo o beija flor cumprir seu papel de encantamento pela natureza, vejo a chuva que cai fazendo um barulhinho bom, as plantas que crescem e se renovam a cada estação. Os perfumes se misturam e a profusão de cheiros da cozinha e quintal, reverencia o sentido do encontro.
Da sala, a maciez do sofá e o colorido das almofadas, acolhem em momentos simples e sempre especiais. O tapete, os livros, os objetos pessoais, os móveis revelam a minha história. Minhas memórias, meu jeito de viver.
Do meu quarto, a cama macia permite a pausa para o descanso, a alvura dos lençóis acolhe o amor pela vida. A janela abre-se para uma árvore generosa, bonita de se ver e lindamente orquestrada pelo vento. Um luxo à parte.
Meus pés descalços caminham por pisos diferenciados a cada ambiente da casa. Cada textura, cor, uma sensação. Maneiras diferentes de encantamento pelo simples.  Minhas mãos preparam o alimento, permite o toque e meus braços abraçam com carinho as pessoas que chegam.

sábado, 20 de novembro de 2010

NA PRAIA DE BEAGÁ!

Passei várias férias,durante minha adolescência, no Rio de Janeiro... sim! Cidade Maravilhosa! Era um sonho. Hospedávamos em um apartamento no Leme situado à Rua Gustavo Sampaio. Era fascinante ver o pôr-do-sol do Arpoador. Visão inesquecível. Sinto ainda o gosto do biscoito de polvilho com chá mate gelado, sinto ainda o ardor do sol e sinto também o gosto salgado da água quando aventurava junto de meu pai a enfrentar o mar em dias de maré cheia. À tardinha era hora de dar uma volta no calçadão. Eu e minha irmã sentávamos em frente ao Copacabana Palace para ver as luzes do hotel se acender. Com sorvete na mão. Pequeno luxo para nossos olhos. E na época do Natal, éramos presenteadas com o brilho cintilante das luzes caindo em cascata dos hotéis de luxo da orla mais famosa do Brasil. Cartão postal que guardo na memória por uma vida inteira. Saudade de pequenos prazeres vividos e saudades de maneiras diferentes de vivenciar a felicidade.
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Outro dia, em dia de liquidação de um shopping, vi um brilho amarelo de longe. Quanto mais chegava perto, mais aquele amarelo me chamava. Era uma cadeira com clima praiano e vinha com banqueta! Não resisti, assentei-me e no mesmo instante atendi uma chamada telefônica quando aproveitei para esticar a conversa e curtir mais uns minutinhos. Muito confortável, muito colorida e irresistível. A martelada final para a decisão pela compra foi o preço: pequenininho! Eu adorei!
Chegando aqui na Casinha, percebi que a cadeira era mais do que isso: é super versátil. Por sua leveza, ela a cada dia está ambientando em um lugar diferente. Em meu quarto, ela faz a vez da bèrgere (que um dia vai chegar); na sala posiciona-se bem para a leitura, para ver tv ou até acomoda mais um em dia de casa cheia e lá no quintalzinho aproveito para curtir os dias de sol da primavera, aqui na praia de BH!


domingo, 14 de novembro de 2010

OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES

Na época em que não existiam os computadores, as brincadeiras eram as mais diversas possíveis. Diversas e cheias de criatividade. E põe criatividade. Brinquei de boneca até meus doze anos. Só parei de brincar de casinha depois que fiquei mocinha. Aquela transformação no meu corpo disse baixinho dentro de mim que era hora de abandonar minha querida infância e mudar de etapa. Mas eu não queria não! A brincadeira estava tão boa!
 Mas não brincávamos apenas de casinha não. As brincadeiras incluíam pique esconde, rouba bandeira, pular elástico, ensaio de dança e posterior apresentação  para nossos pais. Os ensaios eram diários e a vizinha da frente era a coreógrafa.  Achava o máximo!  Fui até pra televisão! O programa era da Tia Dulce e fomos fazer nosso espetáculo ao vivo.  Nem acreditei quando o pai da vizinha da frente conseguiu agendar nosso horário. Quanta responsabilidade. Quanta emoção. Ensaiamos muito uma música do disco Os Saltimbancos Trapalhões. A música escolhida foi Hollywood. Quer nome melhor para uma estréia na TV? A história relatava as aventuras de funcionários simples que se tornam a grande sensação do circo Bartolo graças à sua incrível capacidade de fazer o público rir. História cheia de desafios. Uma daquelas histórias que todos nós deveríamos assistir quando crescidos. Mais umas das aventuras de Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. E lá fomos nós: eu, minha irmã, as duas vizinhas da frente e um primo nosso.  Lembro que fiquei aflita e muito ansiosa nos dias que antecediam o tal acontecimento e meu pai foi o responsável de nos levar até o palco. Minha mãe ficou em casa nos assistindo pela tv que era preto e branco. Mas ela viu cores na tela. Fizemos tudo direitinho e foi inacreditável estar nos bastidores da televisão. Fomos aplaudidos de pé. Pra mim, foi assim. Na verdade nem me lembro. Faz de conta que sim. Era o ano de 1981. Inesquecível.
Como a brincadeira estava tão boa, agora me deparo brincando de Casinha de novo! E com muita responsabilidade. É impressionante como a vida da gente é em forma de círculo. Os acontecimentos vão e vem. Os que foram significativos ficam sempre circulando com a nossa energia e de vez em quando permite-se ser lembrado para ser vivenciado de outra maneira. Agora tudo o que não foi solucionado, anda na contra mão e uma hora bate de frente dando outra oportunidade para ser revisto. Com outro olhar e permitindo outra maneira de resgatar valores, questionamentos que só o tempo pode trazer de volta. Oportunidade de aprimorar. Oportunidade de ser melhor. É o círculo da vida.
Cumã?
Acesse o link para ver um trecho da música

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A VIDA ATÉ PARECE UMA FESTA

Já percebi que tenho muita imaginação. Em vários momentos não sei se algum fato ou um pedacinho da minha vida foi um sonho ou realmente aconteceu. Às vezes me deparo com meus pensamentos e minhas memórias e tento resgatar algum fato do passado. Pode ser passado recente ou distante. Chego até a sentir saudade de uma época, momentos que na verdade nem vivi. Às vezes tenho tanta vontade que um desejo se realize que me confundo com a realidade. Já aconteceu de sonhar com um fato e depois ele se realizar. Sonho mesmo, aquele da hora do sono. Acredito que a energia de vez em quando resolve conspirar a favor. Temos que aproveitar. Realidade e sonho são próximos pra mim. É estranho assim.
É mais ou menos assim que aconteceu com a Casinha. Eu já estive aqui nesse jardim. Eu já cuidei dessas flores, já curti o sol da manhã no quintalzinho com uma xícara de café admirando e conferindo a evolução das minhas plantinhas. A alvura das roupas de cama já foi trocada na minha imaginação e o arranjo de gérberas e astromélias já emprestaram o colorido necessário nesse espaço de dormir. Da cozinha, os aromas já se misturaram com a vontade de reunir e promover encontros ao redor de uma mesa com um delicioso papo que não dá vontade que acabe nunca. O silêncio já foi interrompido com a melodia do vento batendo na copa da árvore grande. E já morri de rir quando a taça com vinho tinto incrivelmente se desprendeu de minhas mãos e achei aquilo tudo só uma bobajinha. Algumas coisas aconteceram dentro do que sonhei e outras superaram as expectativas. Meu pensamento voa além do esperado. E incrivelmente o inesperado acontece.
Há um tempo me deparei com um ponto final. Lidar com as mudanças exige muito do autoconhecimento. Resgatei em mim, minha verdadeira origem para responder aos meus próprios questionamentos. Há uma diferença muito grande entre o que realmente somos, o que as pessoas acham sobre nós e o que gostaríamos de ser. Acho agora que antes desse ponto final há uma vírgula que agora entendo como uma pausa. Uma pausa para pensar e para fazer desse encontro com a vida, uma festa no meu coração.
 A simplicidade do encontro é que faz a vida da gente mais feliz. O encontro da Zi com o Danilo, o nosso encontro com a Casinha. O encontro da Zi com seu novo mundo. O encontro dos amigos que chegam e ficam a vontade. O encontro dos amigos de meus amigos comigo e com minha vidinha. São todos bem vindos! Nem eu tenho vontade de ir embora lá pra cima no meu quarto e fechar a porta... quero continuar contar uma história debaixo do meu brinco de princesa e não quero que essa história acabe nunca. Quero sentar nesse banco de madeira e ver de longe, lá na sala as outras pessoas que lá estão promovendo esse encontro. Gosto da casa cheia, gosto muito dos fins de semana. Gostei muito desse último.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

IDENTIDADE REVELADA

Descobri sem querer. Fui buscando em minhas memórias o tom que aquele jeito doce, simples, engraçado e inocente olhava pra mim. E nem precisava falar nada. Só um olhar ou o jeito de posicionar com a cabeça para o lado. Surpreendentemente simples. Uma mania impressionante de conquistar as pessoas com um simples gesto ou apenas com sua chegada. E já basta.
Na minha infância Os Trapalhões passava na TV Globo aos domingos antes do Fantástico. A abertura do programa era tipo um desenho animado. Adorava. Mas por outro lado anunciava o final do fim de semana e no dia seguinte era dia de acordar cedo para aula. Tristeza. Segunda feira é segunda feira, não tem jeito.
Eu tinha meu lugar marcado no sofá. Deitava antes, ocupando todo o sofá, pra guardar o lugar de meu pai. Era hora de repousar minha cabeça no colo dele e garantir um carinho antes de dormir. Todos nós lá em casa assistíamos ao programa e na abertura do Fantástico já era hora de começar o tal cafuné. Preparo de uma noite de sono tranqüila. Era gostoso. Isso se repetia todos os domingos. Meu pai adorava o Didi e ria como criança. Eu também. Ria da risada dele.
E continuo rindo. Rindo do jeito inquieto, ansioso e engraçado do Danilo. Humor simples. Rio da maneira que ele tem em permitir que todos os momentos sejam especiais, mesmo aqueles que naturalmente são permitiriam. Desarma qualquer cara feia. Não tem braveza que resolva. Tornar a vida mais fácil de viver é o grande segredo. Para poucos, é claro. E ele é especialista no assunto. Rio de trapalhadas que pareceriam idiotas, rio de uma bobagem qualquer ou por ter me lembrado de uma palhaçada antiga. Rio sozinha na rua e parada no trânsito. Rio por saber que tenho esse privilégio e por ele estar comigo. Por ser um presente leve na viagem da minha vida. Ele me rouba um sorriso na alma e muitas vezes exalo uma gargalhada infinita e alta. Sem cerimônia. Estampo no rosto um sorriso para encontrá-lo, porque sei que ele vai querer.
Conquista simples assim. Sinto que ele é pra mim, o verdadeiro Didi Mocó!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

DIA NUBLADO COM POSSIBILIDADE DE CHUVA

Não dorme não pai! E ele nem abria os olhos pra dizer carinhosamente: Só estou descansando as vistas filha!
Acorda pai!
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Tem dias que meus olhos enchem de lágrimas. E acho que é porque estou triste e às vezes é porque estou extremamente feliz. Um contentamento inesperado pode causar esse fenômeno ou uma notícia triste, uma palavra mal compreendida, um tom ácido de uma pessoa querida ou até uma angústia inesperada. Uma TPM que começa às vezes 10 dias antes.
 Tem dia é porque estou cortando cebolas para o preparo da refeição ou porque vi no DVD a música que me enche de emoção ou me remete a uma recordação inesquecível.
 Às vezes é porque cai um cisco no meu olho.
Tem momentos em que me deparo com uma lembrança que nem sei ao certo se sonhei ou se de fato aconteceu. Outro dia, sonhei que tinha perdido meu pai e estava no velório. Acordei assustada e demorei em reconhecer onde eu me encontrava. E de fato eu estava ali. Esse sonho era realidade. E esse episódio já tem um tempo que corresponde a quase metade da minha idade. Essa metade da ausência foi por caminhos tortuosos. Essa metade reflete agora coincidência ou não uma reflexão do conjunto vivido até aqui. Um encontro meu com minha história. Agora somos nós duas: eu e eu mesma.
Tem dias que não encontro palavras para descrever esse sentimento que faz meus olhos encherem de lágrimas. Hoje é assim.
 Mas acho que é saudade mesmo.


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

OS CEGOS DO CASTELO

Assisto ao programa Saia Justa desde a sua estréia e fiquei fã da Fernanda Young. Num programa em que cada uma das saias tinham que levar uma música a Fernanda levou "Os cegos do castelo" do Titãs... confesso que foi emocionante.


E cá está a letra escrita por Nando Reis e a interpretação da música feita por ela está aqui comigo e me faz refletir em vários momentos.



Eu não quero mais mentir
Usar espinhos
Que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno
Que me atraiu
Dos cegos do castelo
Me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, um lugar
Pro que eu sou...
Eu não quero mais dormir
De olhos abertos
Me esquenta o sol
Eu não espero que um revólver
Venha explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar
Foge o destino do azar
Que restou...
E se você puder me olhar
Se você quiser me achar
E se você trouxer o seu lar...
Eu vou cuidar
Eu cuidarei dele
Eu vou cuidar
Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!
Do seu jardim...
Eu vou cuidar
Eu cuidarei muito bem dele
Eu vou cuidar
Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar
E de você e de mim...
Eu não quero mais mentir
Usar espinhos
Que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno
Que me atraiu
Dos cegos do castelo
Me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, um lugar
E pro que eu sou
Oh! Oh! Oh! Oh!...
E se você puder me olhar
Se você quiser me achar
E se você trouxer o seu lar...
Eu vou cuidar
Eu cuidarei dele
Eu vou cuidar
Ah! Ah! Ah! Ah!
Do seu jardim...
Eu vou cuidar
Eu cuidarei muito bem dele
Eu vou cuidar
Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar
E de você e de mim
Oh! De mim!