sábado, 15 de janeiro de 2011

ÁLBUM DE FIGURINHAS

Organizando minha mudança e embalando as caixas com meus pertences, procurei desesperadamente por duas coisas: minha radiola que ganhei de aniversário aos oito anos de idade e meu álbum de figurinhas “Amar é...”. Não encontrei. Lembrei posteriormente que havia doado a radiola pra alguém (na verdade nem sei quem, caso contrário pediria de volta) e o álbum de figurinhas ficou no vácuo. Não sei de seu paradeiro. Uma pena. Recordações importantes pra mim.

Na vida real, percebo que meu álbum de figurinhas está incompleto. “amar é...”?

Perdi meu pai aos 18 anos e a casa ficou grande pra mim, minha mãe e minha irmã. Vazio inexplicável de uma dor que dói muito e que depois dói diferente. Vira saudade. (Explicação que encontrei no blog do meu pai da querida Stella). Palavra que só existe em português e que não tem como traduzir ... acho que é porque tem muitos significados.

Convivi por pouco tempo com meus avós paternos. Minha avó morreu de uma doença sem cura e movido por uma saudade, meu avô pouco tempo depois, tentou tirar sua própria vida. Conseguiu. Teve ajuda de uma arma de fogo. Acho que ele ficou com muita saudade e como doeu muito, queria sentir no próprio corpo a dor que sentia no seu coração. Devem estar de mãos dadas agora. Com meus tios e tias, uma relação distante. Primos e primas também. Adoro alguns poucos que me preenchem. Vazio assim.

Meu avô materno também tentou tirar sua própria vida. Só que foi aos poucos. Um vício incontrolável e muitas besteiras pelo caminho. Faleceu sozinho e acho que quase sem dor. Melhor assim. Mais uma vez tios, primos e primas distantes. Faltam figurinhas.

Minha avó, essa sim eu tenho! Resistente, forte e lúcida aos 94 anos. As mulheres dessa família são assim. Braveza pra lidar com a vida. Tá no sangue!

Meu pai se foi, mas seis meses depois fomos abençoados com a primeira gestação de minha irmã. Nasceu a Brenda. Preencheu um vazio na casa. Ocupou um espaço físico, um espaço no coração. Cinco anos depois, chegou a Bruna. Doce Bruna. Essa página do álbum está completa. Só que agora, elas moram lá em Salvador. Sinto falta do dia a dia. Sinto falta dos almoços de domingo e da casa cheia. Vazio do cotidiano.

Por outro lado, tenho muitos amigos que me preenchem e sou “agregada” da família deles. Participo de festas de família, aniversários, muitos natais. Coisas simples assim que toda família tem. E gosto tanto que carinhosamente os chamo de tios e tias. Página cheia.
















7 comentários:

Angela Bergamaschi disse...

bjos !

Loved This disse...

oi Zi,
adorei sua visita.
Estou te seguindo.
bjs e fica bem!
Gi

Zi disse...

Ei Gi! seja bem vinda! beijocas

Lia disse...

Ai Zi ...complicado quando quem amamos se vão ...
Mas acredito realmente que isso é passageiro e que as pessoas as quais nos ligamos são as velhas conhecidas das nossas almas... nem as ligações de sangue são mais fortes que as espirituais.
Energia, minha amiga, desconhece distância e fronteiras...
Bjks

Zi disse...

Obrigada minha querida pelas lindas palavras. Como sempre, muito doce! um beijo grande!

jeito simples disse...

É Zi,Assim como o seu, meu álbum tbm está incompleto. Ao ler seu texto, me senti em seu lugar em muitos momentos...fiquei emocionada.
Bjos

Zi disse...

Todos nós temos histórias para contar... e em muitos momentos nos identificamos com o próximo. Obrigada pela visita! um beijo Zï