domingo, 9 de dezembro de 2012

DO QUE VI E VIVI

E nesses últimos 36 meses vi um moça chegando por aquela porta com o coração cheio de vontade de ficar para morar. Pode entrar! Uma a uma, vi as caixas se acumulando naquele piso de marmorite vermelho e aos poucos, tudo ganhou seu lugar. Aos poucos, subindo e descendo a escada de vermelhão, permiti executar o lay out já traçado. É certo que a ansiedade não deixou nenhuma sem seu destino e em menos de 48 horas, todas aquelas caixas, agora vazias, pediram a reciclagem.

O espaço grande para o pouco que havia chegado comigo, aos poucos foi ganhando forma com minha vida emprestada. Tudo era bem vindo! A caZInha cresceu com muito charme e muito metida, foi parar na revista, no jornal, em vários blogs e na Casa de Valentina. Não faltaram manifestações de carinho e gentilezas com a Casa da Zi. Descobri na blogosfera, que sou um pedacinho de cada um que chega na minha vida. Cada palavra, cada comentário aqui nesse espaço, renderam-me incentivos para continuar. Muito à vontade, revelei meus segredos, contei de coisas que muitas vezes calaram minha emoções. Esse divã, é abençoado.

Por aquela porta vi muita gente chegar. Vi gente se emocionar e me pedir para ficar por aqui, por pelo menos uma noite, para ter a sensação de dormir nesse lugar. Ao redor daquela mesa da cozinha, a mais linda, segredos das pessoas queridas também foram revelados. Já disse que entre amigos, entre os verdadeiros amigos, é assim. E ao redor dessa mesma mesa, vi várias vezes, meu jardim, lindo, inteiro e florido, recebendo a visita de seu admirável beija-flor. Por trás daquela cortina igualmente florida, deixei a luz filtrar dentro desse ambiente preferido da casa, para se encher apenas do silêncio.

Meu quarto, generoso, também deixou a luz se instalar. A calmaria quebrada com o vai e vem da árvore grande, orquestrou várias vezes o anúncio dos dias mais frios, das chuvas e da brisa fresca do verão. Por aqui, vivi com riqueza de detalhes as quatro estações.

Do meu quintal, vi gente clamar a felicidade, vi cantoras desafinadas e vi a Charanga do Galo cantar o hino valioso. Também passaram por aqui, mestres gourmet e cervejeiros e não faltaram churrasqueiros de primeira linha. As aulas de culinárias foram testadas e aprovadas. O encontro é um prato gostoso de preparar.

Lá do outro lado do muro, vi também gente querendo participar dessa festa e mesmo agora no final, a caZinha ganhou ares de Toscana, e estendeu seu tapete vermelho para pessoas queridas que vieram para ficar. Para sempre!

A vizinhança, permitiu que eu saboreasse o melhor pudim de leite condensado do mundo! Não, permita-se retificar, o da minha mãe, é o melhor. Tem o tempero do amor. Nessa mistura de sabores também pude ofertar um pouco do que sou. É a partilha, a oferta, a doação.

Aclamada não só com belas palavras, com sentimentos valiosos de carinho, mas também com mimos dos que chegaram, vejo-me hoje juntando tudo isso em outras caixas. Junto também a saudade, as memórias, as belas histórias e a certeza de viver igualmente feliz em um outro lugar. Tudo segue comigo.

Começo apartir de agora, desenhar uma nova história, uma nova Casa da Zi.


sábado, 24 de novembro de 2012

JUNTANDO AS COISAS

E novamente me vejo retirando do armário, roupas que já não me pertencem mais. Roupas que podem vestir outras pessoas. Algumas delas, aquelas que mais amei nos últimos anos, me pediram para serem doadas. Acho que enjoaram do meu corpo. Aproveitei para fazer a sessão do desapego. Outras ainda com etiquetas, me deram o recado que não adianta insistir em um estilo que não é o meu. Outras, aquelas que tenho certeza que não usarei nos próximos dias, foram para a caixa grande de papelão e embaladas, serão organizadas em outro armário.

Com os sapatos, os mesmos quesitos aplicados: aqueles bem velhinhos, serão doados. Somente aqueles em bom estado. Esses podem levar outras pessoas a outros lugares. Aqueles insistentes em apenas ocupar espaço em um armário apertado, também calçarão outros pés. E juntam-se a essa caixa, aqueles que simplesmente não tem nada a ver.

Lá no alçapão tem muita coisa guardada: tem louças ainda embaladas, enfeites de natal, um papai noel grande, enceradeira, 50m² de taco, duas churrasqueiras, dentre outras coisas que temos manias de acumular. É o lugar de maior faxina. Mas tudo tem destino e o que não serve mais para mim, pode ser o número certo de outra pessoa. E isso é o que eu gosto muito de falar para os meus clientes: o mundo já está cheio de coisas como móveis, utensílios, adornos. Vamos aproveitar o que é bom. Repaginar, dar uma cara nova. É muito fácil comprar tudo novo e ficar com cara de show room de loja. Casa tem que ter personalidade, senão é uma casa sem graça, sem charme, impessoal, onde qualquer pessoa pode morar.

Os livros e as revistas espalhadas pela casa, estão sofrendo com o desapego. Só separei para o lixo da sexta feira que é o dia do caminhão da reciclagem, as revistas que não tem nada a ver. Tipo editorial de moda de três anos atrás, revista semanal com notícia velha, quer dizer, muito velha. O restante, não consegui. Seguem comigo.

O lugar preferido da casa também precisa ser reciclado. A cozinha tem um jogo de panelas que detesto. Cozinheira que sou, gosto de cozinhar só nas panelas que me satisfazem. O gosto da comida muda como por exemplo o modo como aquece e atinge a temperatura ideal. Pronto, fiz o desapego também com aquelas panelas que só serviam para ocupar espaço debaixo do vão da minha bancada. A cortina xadrez não precisa mais esconder uma bagunça indomável.

No meu quintal, nada a declarar! Nada para reciclar. Minhas plantas tem o toque das minhas mãos, tem minha alma. E elas respondem com delicadeza, com o perfume das flores pela manhã, com um broto verde germinando. Cresceram comigo e estão em terras férteis.

O meu mundo segue comigo.


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

terça-feira, 30 de outubro de 2012

CASA DE VALENTINA

Ei gente!
a Casa da Zi foi visitar a CASA DE VALENTINA!
Confiram a matéria aqui!

Obrigada meninas, pelo carinho!

sábado, 20 de outubro de 2012

O DIVINO ESTÁ AQUI!




E foi entregue das mãos da querida Thereza, essa nova amiga que vai frequentar minha vida por muitos anos ainda. (Thê, inspirada em você, aprendo a cada dia. Aprendi que água perfumada mata a sede com mise-en-scéne).
É o Divino Espirito Santo, abençoando meu lar, estampado com cores que mais gosto, aquelas quentes, no penduricalho da cor favorita: o amarelo quindim!
 
Mas aqui pra nós, divino mesmo é reunir a Confraria do Fuxico, montar a mesa do jantar com graça, fingir que é chique por algumas horas, brindar o encontro regado com muito espumante iluminado por velas. É inaugurar o avental colorido, cada uma com seu fuxico, misura de cores fabulosas, mágicas, fazendo de nós, simples mulheres, cozinheiras gourmet. Nesse momento, somos as Ninas da teledramaturgia.
 
Divino é sair pelas ruas do bairro, cumprimemtar as pessoas pelo nome, saber sobre as novidades de moda na Loja Criativa; falar de longe, praticamente aos berros, com o Léo que mais tarde passo para beber uma cerveja gelada, mas tem que ser antes da novela. Hoje Léo, tenho que ir embora até 21:00, tenho compromisso! Divino é saber que o marido frequenta o Bar do Gilmar, aquele debaixo do Super Nosso, e que lá também tem gente legal. É passar lá na porta e saber que posso cumprimentar gente como a gente.
 
Divino é querer voltar para casa correndo na manhã de sábado, porque mais tarde vamos reunir amigos para bater papo, jogar conversa fora mesmo, sem pretensões, sem ego cheio de si.
É deixar os homens prepararem o churrasco, deixar que eles bebam sua cervejinha com dignidade enquanto falam o nada útil. Enquanto nós, comemos frango assado com as mãos e nos dias de verão, apreciamos essa iguaria com espumante. Nesse dia, somos as Super - Divinas!
É ter passado pela Socila e mesmo assim, confundir os talheres e taças na hora de montar a mesa. É ser desobediente com as regras de etiqueta.
 
Divino, maravilhoso e encantador é ter a casa cheia de gente feliz, fazer planos, mensurar e ver que alguns deles não cabem no nosso bolso. Ainda bem que os sonhos não envelhecem.
É trabalhar mais um pouco, vencer a batalha do dia a dia para conquistar um tiquinho a cada dia. O desejo é uma forma fabulosa de nos fazer feliz. É a resposta gloriosa da satisfação de uma conquista. (Na verdade acho que deve ser ruim nascer em berço de ouro).
 
O meu Divino não está aqui por acaso. Abençoa que entra e quem sai. Dependurado na porta de entrada, está sempre pronto para voar.
 
Ele veio para iluminar meu divino lar.
 
 
 
 
 

sábado, 22 de setembro de 2012

FRAGMENTOS 4

PRIORIDADES



Tenha tempo para cuidar do seu jardim, mesmo que seja um jardim sem flores. Tenha tempo para cuidar do jardim da sua vida, da sua casa e de seus amores.

Tenha tempo para ir ao super mercado à pé e voltar com as compras na sacola reciclável que ganhou da sua loja favorita. E aproveite para trazer flores nos braços.

Tenha tempo para conversar com seu vizinho, falar do tempo, do cachorro e dos filhos. Conversa sem pretensão alguma, mas com proximidades de gentilezas com a vizinhança.

Tenha tempo para ir ao cinema e assistir ao filme O Palhaço. E se emocionar. Ou se não puder, assista mais uma vez ao filme Simplesmente Complicado que com certeza estará passando na rede Telecine. Encante-se mais uma vez com o cenário e sonhe com a casa da protagonista. Deseje a cozinha da Jane, personagem da Meryl Streep. Sonhe com o balanço que debruça em um jardim simplesmente encantador. Cuidados: os sonhos costumam se realizar!

Tenha tempo para sua casa. Olhe com delicadeza e agradecimento para todos os seus móveis. Coloque na sua decoração, objetos que fazem parte da sua história. Distribua por toda a sua casa, suas memórias, heranças de família. A casa é sua! Faça da sua casa um lar e não uma loja onde todas as coisas estão nos seus devidos lugares, matematicamente calculadas. Troque as almofadas de lugar, redistribua os móveis, deixe a energia circular. Peça para seu filho fazer um desenho e o emoldure, colocando em um lugar que jamais imaginaria que ficaria tão bom! Receba com carinho as flores que acabou de comprar e perfume seu lar.

Tenha tempo para telefonar e ficar horas e horas falado só de bobagens com a amiga de infância. Tenho tempo de dar boas gargalhadas nessa ligação e relembrando momentos inesquecíveis. Fique menos tempo no Facebook adicionando pessoas que não tem nada a ver. Não conseguimos ouvir e sentir risadas através do computador. Tenha tempo de encontrar essa amiga no cinema, no café ou no bar e continuar essa conversa que não tem hora para acabar. Tenha tempo para dar um abraço de verdade nessa pessoa que só deseja o seu bem.

Tenha tempo para sua vaidade. Corte o cabelo, pinte as unhas com o esmalte da moda. Leia as revistas de fofoca no salão e atualize-se com os assuntos de Diva com o cabeleireiro. Eles gostam disso. Compre um vestido novo.Vai fazer bem. Sonhe em usá-lo em breve e vá para a festa "se achando demais"! Capriche no salto e seja mulherzinha de verdade.

Tenha tempo para a pessoa amada. Crie uma história de amor, faça suas vontades, vista-se bem para sua chegada e capriche no jantar, na conversa; diga o quanto ela é importante para você e faça da sua vida um conto de novelas, de cinema ou o que for. Desenhe sua história a dois com sabedoria e amor.

Tenha tempo para fazer tudo isso e muito mais, enquanto quer, enquanto deseja, enquanto tem tempo. Aproveite cada minutinho da sua vida, não se compare com o outro. Viva o seu momento, o seu cotidiano e a sua rotina. Tenha tempo para fazer da sua vida uma grande festa!

domingo, 16 de setembro de 2012

O ARROZ DE PALMA

O que eu ando lendo:



 "Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência.”

O livro tem humor e ensinamentos ditados em sentenças que dão um sabor a mais à história do arroz, acompanhado de humor inteligente. A história é sobre uma família portuguesa que migrou para o Brasil. Os 100 anos de lembranças são contados através da voz de Antônio, o primogênito de quatro irmãos, filhos de José Custódio e Maria Romana. Tudo que é narrado no livro vem das reminiscências de Antônio – cozinheiro de profissão – sempre recheadas de afeto. Ao comemorar seus 88 anos, ele prepara um almoço de família e reune todos: mulher, filhos, netos irmãos e seus descendentes de idade e também comemora os 100 anos de casamento de seus pais já falecidos.

"Velho é criança de fôlego diferente. Já não lhe interessam as correrias nos jardins, o sobe e desce das gangorras, vaivém dos balanços. É tudo muito pouco. O que ele quer agora é desembestar no céu, soltar os bichos que colecionou a vida inteira. Os bichos todos – domésticos, selvagens, úteis e nocivos. Os pesados répteis que ainda guarda no coração e as borboletas, peixes e passarinhos, tudo solto lá em cima!”

A história toda gira em torno de um arroz. No dia do casamento de seus pais, uma chuva torrencial de arroz cai em cima deles, e Tia Palma, irmã de Custódio, possuidora de uma alma mágica, recolhe do chão todo o arroz e dá de presente aos recém-casados: 12 quilos.

Este arroz – plantado na terra, caído do céu como o maná do deserto e colhido da pedra -                                                                                                               é símbolo de fertilidade e eterno amor. Esta é a minha bênção”.


O irmão vê nessa extravagância algo de muito louco, algo totalmente sem nexo, enquanto a cunhada se encanta profundamente com o presente. Esse é começo da história. O arroz, místico e sagrado, não estraga. Esse arroz mágico, ao ser ingerido, provoca felicidade e fertilidade. Esse arroz vai acompanhando as gerações e resiste a uma migração e vai sucedendo a várias gerações. As narrativas são todas elas em primeira pessoa, mas como primeira pessoa múltipla, pois cada personagem tem suas falas próprias, em episódios individuais.

O narrador, curiosamente, descreve episódios que não viu, como por exemplo, lembrar os momentos de seu nascimento e de sua morte, como páginas de um diário, ou, se quisermos, um álbum de retratos de gerações que acompanham as mudanças do mundo. O protagonista é um homem do seu tempo apesar de sua idade avançada. Comunica-se com o seu neto pelo MSN, com webcam, usando a linguagem de internet. O capítulo ‘ Kd vc? ‘É o reflexo dessa contemporaneidade.

Mas o livro não é um diário ou álbum de retratos de uma família perfeita. Ao contrário, muita coisa acontece: casamentos, brigas, separações, intrigas, comemorações, nascimentos, diferentes opções sexuais, desentendimentos e mortes. Tudo que uma família tem direito, temperado com carinho pelo autor, que sabe dosar as palavras com uma poesia deliciosa.

“Família é afinidade, é a Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito”.


Por isso diz o narrador fala “família não se copia se inventa”. E aos poucos vamos aprendendo, improvisando e transmitindo aquilo que aprendemos ao longo dos diversos “dia a dia” que temos e tivemos em nossas vidas. As lembranças vão prosseguindo ao longo do livro. Memórias familiares que gravitam em torno do arroz e também em torno das dificuldades em se largar uma terra amada por um futuro duvidoso. Seus pais e tia Palma migram para o Brasil, capital federal e depois para o interior do Estado. O patriarca vai trabalhar numa fazenda de café do Sr Avelino e Dona Maria Celeste e a amizade entre os casais é muito forte. Tão forte que o primogênito Antônio casa-se com Isabel, filha do patrão sob as bênçãos das duas famílias.

Alguns trechos saborosos que retirei da narrativa dão o exato sabor dessa jóia:

"…. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza. ….Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de engolir. …por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie."

“Arroz de Palma” de Francisco Azevedo não é um livro de receitas para se conviver em família. Família boa é a “Moda da Casa”. O molho mais apetitoso dentro de uma família é o amor bem temperado pois quando ele se acaba, nunca mais se repete. Um livro que certamente deve ocupar um lugar bem gostoso em sua estante. Um livro para pegar com respeito, ler com alma e guardar com carinho.


Texto extraído do blog  Bons livros para ler de Luiz Guilherme de Beaurepaire.




domingo, 9 de setembro de 2012

viZInhança

Os paulistas invadiram nossa praia e no meio do mar de montanhas, abriram a casa e nos receberam de braços abertos. Essa calorosa acolhida permitiu um olhar investigativo para o simples. A simplicidade de sentar ao redor de uma boa mesa mineira, grande, com cheiro de madeira e permitir risadas, conversas e nada de silêncio. As confissões, os segredos foram revelados aos poucos, enquanto as bolinhas do espumante faziam cócegas no nosso nariz. Brindando esse encontro, essa mesmas bolinhas permitiram empurrar a mesa e dançar enquanto o sol, despedia-se no horizonte. É casa de verdade! Podemos dançar! Foi necessário usar óculos de sol, mas o que é uma praia sem esse fabuloso acessório?

E sem ver o tempo passar, a música tocada no violão, como em nos rituais de antiga moda de viola, deixou aflorar as emoções com a melodia que verdadeiramente toca em nossa vida. Quase que como uma capela, estava afinada com a memória afetiva. A cantiga cedeu espaço para o choro de uma lágrima só. 
Só entre amigos que esses mistérios são revelados. Somente entre amigos que permitimos esvaziar nossos copos e enchê-los novamente com o que efetivamente interessa. Enchemos de descobertas, sonhos, magias e encantamento por estarmos ali, despidos de vaidades e cheios que vontades para que dias como esses demorem para passar. A felicidade também mora nesses detalhes e vem embrulhada em uma caixa bonita e lindamente enfeitada com laços e fitas de cetim. Pode ser vermelha, azul ou amarela. Pode ser da maneira e da cor que preferir.

Lá nessa casa, com jeito de casa, vi um lar. Lar de verdade. Vi que esses paulistas estão aprendendo o minerês e que a palavra arreda, já faz parte do vocabulário. Vi queijo de minas, polenta e claro, não poderia faltar o legítimo pão de queijo. Cada um com sua contribuição.Vi o fogão à lenha posicionado no centro da cozinha, vi a mesa grande que também acolhe e conforta e vi também um piano e uma bateria ocupando o centro da sala. Música para os olhos, música para a alma. Tocada por essas sutilezas, vi dentre tantas outras coisas, da janela do quarto,o amanhecer por trás das montanhas, agora sem óculos de sol e sim com a visão do coração de quem estava feliz por viver tanta coisa boa!

À todos vocês, amigos queridos, o meu muito obrigada!






domingo, 12 de agosto de 2012

PARA MEU PAI

E a saudade cedeu espaço para as doces lembranças. Essas se vestiram daquela pontinha de sol que mesmo escondida atrás das nuvens desse dia cinza, brilhou meio tímida no meu jardim. 

As lembranças permitiram um sorriso de menina enlaçadas nos momentos vividos. Lembrei da banheira que ele comprou, daquelas bem velhinhas, estilo vintage dos dias atuais, que servia de piscina nos dias quentes. E nos dias frios também! Para a meninada, não existia tempo ruim e para mim, era uma piscinão. Revezava o espaço com minha irmã naqueles meros 80cm x 120 cm não dava para as duas nadarem ao mesmo tempo. Posicionada para a fachada oeste da casa, no meio do quintal, o sol era garantido a tarde toda, até ele se pôr atrás de um morro logo à frente. A única sombra era do pé de limão, pode ser limão capeta, não sei mais, mas tinha uma fruta ali sim. Tinha também morangos nos dias de inverno, tomates cereja, pés de alface, couve, mexerica. Tinha mais verde nessa horta que os aqui descritos. Ah, tinha também uma roseira colorindo esse quintal.

Divertido era sua chegada do trabalho. Tinha bala, chicletes, pirulito para mim, minha irmã e mais ou menos outras vinte crianças que já sabiam dessa rotina. Tinha guloseima para todo mundo. E não era brinde, nem prêmio por bom comportamento, nem nada. Era porque gostava. Ele divertia que nem criança. Aos domingos antes do Fantástico, ria do Didi Mocó que nem criança, nessas horas, também era um de nós.

E nesse dia de domingo, a saudade com gosto feliz, queria almoçar macarronada e após a  soneca, ir ao cinema e depois comer pizza no Pizzaiolo. Voltar para a casa com sono e com a certeza que o próximo fim de semana não seria diferente. 

A saudade de gosto infeliz me lembrou que a mesa de almoço aos domingos teria uma cadeira vazia, não mais iríamos juntos para o Rio de Janeiro e nem ia ter mais carona para a aula. E também não ia ouvir mais uma vez antes da prova de história seu relato que aprendeu sobre o Descobrimento do Brasil. E tive que começar a prestar atenção na garota do tempo do telejornal, porque o meu "garoto do tempo", não mais estaria ali observando o clima e ditando as previsões do dia seguinte. Não ia mais sentir o calor, o amor, o carinho. Não tinha mais abraço nem beijo.

Só saudade e tudo o que ficou. 




segunda-feira, 30 de julho de 2012

FRAGMENTOS 3

Encontrei um texto antigo que fala um pouquinho de mim e de você!

EU SOU VOCÊ

Eu sou aquela pessoa que desenha o espaço para outras pessoas habitarem. Eu sou aquela que invade a casa dos outros e invado tanto a intimidade até descobrir se o banho terá 02 chuveiros ou não. Costumam fazer reuniões durante o banho? Pergunto. Entrevistando e questionando busco o máximo de referências com a meta de atingir o alvo. Descobrir o outro. Desafio dessa profissão linda de desenhar sonhos, projetar realidades. Sou um pouquinho de cada cliente. Cada um com seu credo, cada um com sua vontade, cada um com sua ansiedade. Sou um pouco do cliente legal, do ansioso, do divertido, do prático, do objetivo e do sonhador. Adoro essa última opção!

Eu sou aquela menina que cresceu vendo o pai ligar o ventilador para dormir. Eu entendi que o barulho do ventilador abafava os demais... e com isso consigo concentrar no meu sono. Mesmo quando parece que vai levantar voo, sinto como uma canção de ninar. E carrego a mesma mania da minha mãe de guardar o controle remoto debaixo do travesseiro... vez ou outra minha camisola o faz companhia.

E sou aquela que esbraveja quando me sinto ameaçada e depois percebo que não precisava. Em uma situação de perigo, enfrento. Às vezes, a vontade é de fugir. Mas não poderia... As mulheres dessa minha família são assim: necessitam de honrar uma defesa que a força dos braços não tem e descobrem outros mecanismos nessa luta pela vida. Eu sou um pouco dessa coragem de minha mãe.

Sou também a que aprendeu a comer de tudo e não permitir o desperdício. Acho pecado jogar comida no lixo. Meu pai já falou disso comigo e desde pequena não era permitido deixar nenhum grãozinho no prato. E isso eu aprendi direitinho, não tenham dúvidas! Gosto do meu paladar! Haja apetite!

E tenho uma mesma mania ansiosa de meu pai com os horários. E o mesmo comprometimento com o trabalho. Como meu pai, sou aquela que acorda pela manhã e liga o rádio para ouvir as primeiras notícias e é a mesma estação de rádio que ele ouvia. Cresci ouvindo na rádio um barulhinho de alerta a cada 15 minutos anunciando a hora exata. Era o meu timer da manhã antes do colégio. É o meu timer da manhã antes do trabalho.

Sou também a que busca ser justa e entender que o outro é diferente de mim. E nesse outro encontro dificuldades diferentes das minhas e aprendo que é necessário aceitar para conviver. Minha amiga Simone é assim: leal e justa. Ela percebe minhas dificuldades e aceita. E é com ela que também aprendi que se eu continuar a pentear meus cabelos com essa força toda que tenho, nunca terei cabelos sedosos como os dela.

Na minha memória afetiva vejo um pai simples. Naturalmente simples. Com hábitos, cotidiano simples. Na minha vida atual de casada tenho um marido assim: despertou em mim essa bagagem escondida em apreciar o simples. E eu sou como o Danilo: busco em minhas raízes minha identidade e percebo que ela se revela na simplicidade da vida e isso traduz em nosso LAR.

Aprendendo sempre com o outro, sou aquela que segura uma garrafa de água vazia na mão até encontrar o local ideal de despejo, aquela que dá passagem no trânsito, aquela que presta gentileza e diz por favor, e muito obrigada. Sou um pouco daquela moça atrás do balcão que faz o check-in com os cabelos bem penteados para trás e uma camada de rímel que dói para remover. Sonhei com isso um dia: ser chique e independente com elas! Sou como a atendente do balcão da doceria que com certeza fica enlouquecida com tanta guloseima. Sou os trejeitos desse povo que ri que chora e se enlouquece com as emoções. Sentimentos variados do dia a dia que o outro, o cotidiano desperta em nós. Sou a irritação do telemarketing e o choro de uma lágrima só que a televisão sensacionalista faz questão de mostrar em suas reportagens. Sou aquela entonação de quem vai dar notícia ruim. Sou uma pausa. Sou aquilo que nem vivi, mas que imaginei. Sou aquela que parada no trânsito morre de rir sozinha quando lembra de um fato engraçado. Sou aquela moça da risada alta, solta e larga quando me sinto liberta. Nesse caso, sou um pouco Fafá de Belém!

Sinto-me um pouco vovozinha quando queria ter nascido em 1940 e ter sido rica. Claro! Queria ter morado naqueles casarões com jardins imensos e de arquitetura Art Déco. Explicação dada a essa paixão pelo vintage, pelo retrô. Eu sou a moça da capa da revista antiga no melhor estilo Pop Art.

Sou um pouco da minha amiga Renata com um radar que capta todos os sentidos do outro, sabe interpretar uma situação e pega emprestada aquilo que temos de bom. Mostra as qualidades e não fica julgando as deficiências. Trocamos receitas, figurinhas, jeitos gostosos de arrumar a casa e deixá-la a cada dia com um ar especial. Sempre tem coisa nova... tem que prestar atenção para não perder nenhum detalhe! Visitem nossas casas!

Sou um pouco dessas minhas amigas seguidoras da blogosfera que a cada dia escrevem palavras simples pra mim, porém verdadeiras. Sou como elas: um pouco bordadeiras, crochêteiras, artesãs, doceiras, cozinheiras, decoradoras, inspiradoras, amigas da moda, da beleza, da saúde e do bem estar.

Sou a que começou a escrever um blog motivado por um mergulho nas minhas memórias, com o desafio de resgatar minha história durante o processo de montagem e concepção dos espaços de minha casa, daquilo que chamo de LAR.

Eu sou esse corpo com características físicas e genéticas de meus pais. Mas sou uma pessoa em formação, pegando emprestado um pouquinho de cada um que frequenta minha vida, das pessoas conhecidas e desconhecidas, das que existem e das que imaginei; fazendo de mim constantemente, um ser como você.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

CASINHA DA VOVÓ

Na casa de vó tem piso vermelhão,
toalha xadrez sobre a mesa
jardim florido
e cortininha debaixo da bancada!

Tem também mala de viagem antiga,
fotos de família,
banqueta de artesão, velhinha, muito velhinha
e horta perfumada no jardim.

Casa de vó tem alegria,
conversa na cozinha,
sempre cheia,
macarronada com frango,
gente feliz!








quinta-feira, 19 de julho de 2012

FRAGMENTOS 2

Mais uma vez, visitei meu blog e encontrei uma descrição da casinha que eu gostei!
 
 
Nossa casa deve refletir uma sensação de bem estar, um porto seguro. É no nosso lar que revelamos nossa intimidade, jeito de viver, revelamos nossa descontração com as pessoas que chegam e acolhemos com conforto e simplicidade.

Nos detalhes, enxerga-se o charme. O charme simples de uma almofada colorida, o charme de uma peça de herança de família, o charme de uma idéia inusitada que empresta o glamour necessário para encantar o olhar e aguçar os sentidos.

Da cozinha com jeito de sala, lugar de receber, sinto o cheiro da comida boa e o prazer conversas, do bate papo, onde os segredos são revelados. A mesa posta com delicadeza convida sempre para sentar-se, sentir-se a vontade e as bebidas bem escolhidas, torna o ambiente permissivo para brindar a vida.

Do quintal, vejo o beija flor cumprir seu papel de encantamento pela natureza, vejo a chuva que cai fazendo um barulhinho bom, as plantas que crescem e se renovam a cada estação. Os perfumes se misturam e a profusão de cheiros da cozinha e quintal, reverencia o sentido do encontro.

Da sala, a maciez do sofá e o colorido das almofadas, acolhem em momentos simples e sempre especiais. O tapete, os livros, os objetos pessoais, os móveis revelam a minha história. Minhas memórias, meu jeito de viver.

Do meu quarto, a cama macia permite a pausa para o descanso, a alvura dos lençóis acolhe o amor pela vida. A janela abre-se para uma árvore generosa, bonita de se ver e lindamente orquestrada pelo vento. Um luxo à parte.

Meus pés descalços caminham por pisos diferenciados a cada ambiente da casa. Cada textura, cor, uma sensação. Maneiras diferentes de encantamento pelo simples. Minhas mãos preparam o alimento, permite o toque e meus braços abraçam com carinho as pessoas que chegam.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

MORRE LENTAMENTE

" Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um feito muito maior que o simples fato de respirar. Somente a ardente paciência fará com que conquistemos uma esplêndida felicidade"

Martha Medeiros

sábado, 14 de julho de 2012

SEM NOÇÃO


Hoje eu acordei cedo, como de costume, e não consegui mais concentrar no sono que talvez poderia voltar. Nem meu edredom branco e o frio instalado no quarto, foram capazes de me convencer. A inquietação tomou conta de mim e na cozinha, enquanto a chaleira não apitava, fui para o quintal espiar o jardim.

E fiquei pensando, analisando minha trajetória até aqui. Arrependida de algumas coisas que fiz? Sim! Arrependida de outras tantas que deixei de fazer? Sim! E se pudesse voltar no tempo, faria muitas coisas de novo, outras faria melhor. Muitas repetiria a dose.Outras que até já esqueci, talvez viveria de outra forma.

E se tivesse sido equilibrada até aqui, seria uma chatisse. Nada para melhorar? Não, eu nunca fui totalmente certinha. 

Pensei nas muitas vezes que magoei alguém, que xinguei, esperneei desnecessariamente; nas vezes que fui incapaz de ajudar, colaborar, nas inúmeras vezes que pisei na bola. E nas tantas outras que não tive a capacidade de pedir desculpas e de perdoar. E nas outras que tive que abaixar a crista, engolir sapo. Arrependo de ter falado demais. A conta sempre chega depois e é cara.

E dou risadas, quando lembro dos muitos bons momentos vividos, nas pessoas que passaram na minha vida, lembro dos amigos que vieram e foram embora e dos queridos que realmente ficaram. Das pequenas loucuras que fiz atrás da felicidade. De fazer da vida uma festa! Lembro tristemente de ficar grudada ao lado do telefone, alimentado a promessa de uma ligação. E lembro de chorar, sofrer, lamentar a ilusão de um amor que não ia chegar naquele momento.

E lembro das atitudes e decisões certas que mudaram minha vida, dos acertos como a escolha da profissão, do meu amor e do meu lar. Isso eu não mudaria. E se não tivesse a firmeza em escolher minha casa, da insistência em querer mudar, estaria hoje muito arrependida. 

E penso nas loucuras que fiz como dirigir com excesso de bebida, de voltar para casa bêbada, uma verdadeira sem- noção. De dar vexame. De não conseguir levantar para trabalhar no dia seguinte por causa da ressaca. E lembro também de ter beijado mais de um em uma mesma noite. Não tem problema, esses não eram para casar mesmo. 

Ainda gosto de ficar nas festas até acabar, de ser a última a sair. De pedir a saideira. Não se preocupem: hoje eu volto de táxi! Ainda gosto de ouvir música repetida, de organizar as almofadas antes de sair de casa e dormir com o ventilador ligado mesmo nos dias de inverno. De vez em quando ainda sou uma garota má.  Sou má quando tenho a certeza que poderia ser melhor. De não servir bem o meu próximo. E choro por ser assim bem arrependida.

Penso em meus pais, que tantas vezes os desobedeci, nas inúmeras vezes fui cruel. E por muitas vezes eu também achar que foram cruéis comigo! Tudo pela boa educação e bons costumes. E pergunto a Deus até hoje, porque uma convivência tão curta com meu pai.

E penso nas muitas coisas que ainda vou viver, errando, arrependendo, querendo fazer de novo. Penso também nas tantas outras que vou dar muitas risadas depois. Vida que segue.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

FRAGMENTOS


Revisitei meu blog, separei um texto antigo e presente no meu modo de sentir:


E finalmente cheguei à cozinha. Lugar preferido da minha casa. É daqui, debruçada sobre uma mesa de madeira antiga, cor de jacarandá, com marcas do tempo, que permito contar certos velhos costumes. Permito dizer que o tempo faz bem, que a saudade faz-me recordar memórias e lembranças lindas, guardadas com preciosidade em meu coração. A cozinha distribui os aromas, permite a acolhida, o papo gostoso e o desabafo em conversas sem hora para acabar. É quase sempre ao redor de uma mesa que o verdadeiro encontro acontece. Vale contar sobre o dia a dia, essa rotina necessária, falar sobre nossos amores, essas paixões cotidianas e os recalques do coração. Vale espremer a alma e deixar cair uma lágrima ou mergulhar nos pensamentos, nas falas bem colocadas e deixar extravasar  um sorriso largo. Entre amigos, pessoas queridas, é assim. A intimidade revela-se em um presente embrulhado com fitas largas e coloridas.

Olho para a  "vendinha", um armário sem portas na cozinha e vejo meus ingredientes,  temperos essenciais para o almoço do fim de semana. Guardados ali, tenho alguns com data vencida. A salsa desidratada, acumulou um cheiro que já não mais aromatizava o preparo dos alimentos. Prefiro um salsa bem hidratada e foi isso que fiz: plantei ervas que gostaram da chuva mansa e floreceram, distribuindo aromas e sensações frescas em meu jardim. O dia hoje tá cinza lá fora, aqui dentro, vejo uma vendinha colorida, no melhor estilo color block da moda!

Lá em casa, também era assim: a hora do almoço aos domingos, uma festa. Aprendi a cozinhar ainda menina, na categoria ajudante de cozinha, lavando e auxiliando e logo eu e minha irmã assumimos o cardápio dominical. Costume gostoso de seguir. Hoje posso encostar a mesa de jacarandá no canto e permitir nesse espaço de meros nove metros quadrados, um lounge, onde posso dançar, sorrir e me divertir. Dança comigo?

Sinto saudade de momentos não vividos. Parece um futuro roubado. Fantasio o que poderia ser bom, o que poderia ter mudado meu destino. Procuro situações onde a minha família completa, inteira, reunida em uma mesa grande desfrutando de momentos inesquecíveis. A saudade hoje acordou com cheiro de macarronada com batatas, com cheiro de um frango bem assado e molho de tomates frescos. Fechei meus olhos e logo fui servida com um café passado na hora. Cheiro de infância, cheiro da lida do dia a dia. O mês de dezembro é assim, uma reticência entre o que está terminando e o novo começo. Precisamos dessa pausa, esperando a interrogação do próximo ano que virá. Novas surpresas e novos desafios. Novos momentos para depois, virarem lembranças.





terça-feira, 3 de julho de 2012

FLORES PARA CAROL

Tem um post lindo, inspirador em homenagem à caZInha lá no blog da Carol!

Acessem: http://madamemorgana.blogspot.com.br/

Carol,
flores parisienses para você!






domingo, 1 de julho de 2012

D. TECNOLOGIA


Vi essa semana uma foto postada no facebook que me chamou atenção. Ela se desenha com um grupo de adolescentes reunidos e cada um manuseando seus aparelhos de telefone. Conversavam individualmente nas redes sociais. Cada um envolvido com seu mundo. Fiquei meditando sobre a dura realidade: o que afinal significava aquele encontro? Encontro de tecnologia controvérsia que reúne e separa. Aproxima e segrega. Tecnologia bipolar. Como assim?

E nesse tempo ter que estar conectado, ter que responder prontamente um email, ter que consultar o facebook que mais parece uma disputa de egos e da vaidade, perdemos o romantismo do tempo e sua sedução. A velocidade da informação disputa espaço com o conhecimento. Tenho preguiça de " ter que responder " a tempo e a hora. A Roziane ariana e impulsiva de vez em quando sai de férias. São nesses momentos que permito que o silêncio que mora em mim se instale. Prefiro o silêncio a ter que ver e ouvir um monte de bobagens. O silêncio também encanta, preenche o vazio, é mágico, além de ser uma ótima companhia.

Colecionava papéis de carta. Perdi minha pasta com minha coleção. Márcia, minha irmã, por acaso está ai com você em Salvador? Tenho uma caixa linda, no melhor estilo vintage, que abriga alguns poucos papéis de carta. Adoro a escrita pensada, a letra desenhada. As frases conectadas com uma mensagem que foi antes elaborada no pensamento. A firmeza das mãos e a caneta pontuada com cor. Acho emocionante encontrar uma carta ou um bilhete guardado. Confesso que gosto até do cheiro. Tem aroma de história.

Diante desses fatos confesso que sou pouco tecnológica. É, tenho certeza que já deu para perceber. Tenho preguiça de entender todos os recursos de um smartfone, do iPad, ifone. I. Eu. Tá vendo? Individual.

D. Tecnologia, vou te enviar um recado e vou ser bem sincera: você me assusta! Será que dá pra parar? Eu não dou conta dessa imensidão de recursos disponíveis. E fico pensando: pra que tudo isso? Aí chego a conclusão que nasci na época errada. Século XXI, acho que você não me pertence!


segunda-feira, 25 de junho de 2012

PARA REFLETIR


Nós bebemos demais, gastamos sem critérios. Dirigimos 
rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, 
acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV 
demais e raramente estamos com Deus. 

Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores. 

Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos 
freqüentemente. 

Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos 
à nossa vida e não vida aos nossos anos. 

Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a 
rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas 
não o nosso próprio. 

Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores. 

Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, 
mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos 
menos; planejamos mais, mas realizamos menos. 

Aprendemos a nos apressar e não, a esperar. 

Construímos mais computadores para armazenar mais 
informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos 
comunicamos cada vez menos. 

Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; 
do homem grande, de caráter pequeno; lucros acentuados e 
relações vazias. 

Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas 
chiques e lares despedaçados. 

Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral 
descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das 
pílulas 'mágicas'. 

Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na 
dispensa. 

Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te 
permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar 
'delete'. 

Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas 
não estarão aqui para sempre. 

Lembre-se dar um abraço carinhoso em seus pais, num amigo, 
pois não lhe custa um centavo sequer. 

Lembre-se de dizer 'eu te amo' à sua companheira(o) 
e às pessoas que ama, mas, em primeiro lugar, se ame... 
se ame muito. 

Um beijo e um abraço curam a dor, 
quando vêm de lá de dentro. 

Por isso, valorize sua familia e as pessoas que estão ao 
seu lado, sempre.




Recebi essa mensagem por email e não conheço o autor. Se alguém souber, me informe!

sábado, 23 de junho de 2012

MISTURAR É PRECISO!

São esses objetos que fazem partem da minha história, trazidos das viagens ou de minhas memórias que fazem da minha casa um lugar tão especial para mim!








domingo, 17 de junho de 2012

DOMINGÃO

Porque hoje é domingo, é dia de almoço gostoso na casa da mãe, é dia de futebol na tv e dia de descanso quase de noitinha, curtindo o friozinho que insiste em ficar.

Porque hoje é domingo, é dia de ficar na cama até às nove da manhã, rolar para cá e para lá, deixando a preguiça tomar conta dos ânimos.

É dia de ir à missa, ouvir as palavras com louvor, emocionar.

Porque hoje é domingo, é dia de tomar café demorado, ir à padaria à pé buscar pão francês fresco e fazer ovos mexidos com queijo. É dia de comer bolo de iogurte da padaria do Verdemar, levar a xícara de café para o quintal e ler no jornal só os assuntos que interessam. Assuntos de moda, crônicas do dia, viagens. Nada de política e cidades.

É dia de esquecer da dieta e permitir a sobremesa. E repetir.

Seria dia de deixar a casa com tudo fora do lugar. Seria se eu conseguisse! É o dia que tenho tempo para  organizar os sapatos jogados pelo chão da festa do dia anterior, guardar todos os papéis e tirar as folhas secas dos vasos. É dia de dar espaço para as folhas verdes brotarem.
Tenho mania de casa arrumadinha e tenho tempo para isso! A maternidade ainda não chegou.

Porque hoje é domingo, é dia de ver a Dança dos Famosos e deixar a televisão no mudo durante a fala do apresentador. Cá para nós, ele é muito chato! É dia de ver no GNT as melhores entrevistas do Jô da semana e esperar o sono chegar enquanto o nada Fantástico anuncia a trilha sonora do final do fim de semana.
Porque hoje é domingo, é dia de preparar a semana de trabalho, agradecer os momentos felizes vividos nos dois dias de folga e sonhar com o dia mais feliz da semana: sexta - feira!
Basta enfrentar a segundona.


terça-feira, 12 de junho de 2012

BILHETE

" Se tu me amas, ama-me baixinho
 Não o grites de cima dos telhado
 Deixa em paz os passarinhos
 Deixa em paz a mim!
 Se me queres, enfim, tem de ser bem devagarinho, amada,
 que a vida é breve, e o amor mais breve ainda..."


 Mário Quintana

domingo, 10 de junho de 2012

PALHAÇOS À VISTA

Domingo de sol e não faltaram palhaços fazendo graça na praça!
É o FIT ( Festival Internacional de Teatro) invadindo as ruas da cidade.


quinta-feira, 7 de junho de 2012

MALA FAMOSA

Foi lá na famosa loja Merci em Paris que comprei essa mala vintage que faz a vez de mesa de centro na caZInha. Já é sucesso e foi parar no Estado De Minas!


Saindo da Loja Merci



Na estação de metrô


No Hotel Saint Germain


Na caZInha


No Estado De Minas

domingo, 3 de junho de 2012

UM BEIJO

É assim, todos os dias e em todas as refeições
tem uma menininha parisiense mandando beijo pra mim!
E para você também!


Um beijo!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

ÚLTIMA ESTAÇÃO: PARIS!



É sim a Cidade Luz! É uma cidade de charme, de romances, de arte e poesia. Paris enche os olhos, Paris veste-se de sonhos, permite fotografar os cenários perfeitos.
Chegamos na manhã do dia 26 de Abril, prometendo além de viver dias de puro encantamento, viver também um dia de chuva. O Hotel em Saint Germain, tipicamente parisiense, abriu suas portas para nos receber. O francês não é para mim uma língua fácil de falar, aliás nem um pouco! Mas gostoso de ouvir.

Percorri ruas ainda não visitadas, permiti um novo olhar naquilo já visto e enxerguei de outra maneira. Encantei-me pelos Jardins de Luxemburgo e as flores pontuando a nova estação. As tulipas abrem-se felizes para os visitantes, suas cores inebriam o olhar. Lembrei-me de fotografar cenários desconhecidos e vivi apaixonadamente a chuva fina que insistia em cair. Ela tem seu encanto e Woody Allen tem razão: Paris é muito charmosa com chuva.

Dentre todas as delícias, os famosos macarrons e o Croque Monsieur. E todas as noites a famosa sopa de cebola e apenas um dia, mas por duas vezes, um antes e outro depois da subida até o topo da Torre, o crepe de nutela, irresistível! Na última noite, um brinde com champanhe antes do menu completo em um desses bristrôs mais que charmosos, nas ruas de Saint Germain.

A visita até a Loja Merci marcou minha tragetória. Famosa por suas malinhas em cima de um carro antigo, localiza-se no descolado bairro Marrais, próximo da Place des Vosges. E foi lá que comprei meu tesouro da viagem: uma mala vintage! Não fui eu que a escolhi, tenho certeza que ela me escolheu. Combina comigo, com minha história e minhas memórias. Combina com a que tenho em casa e que faz a vez de mesa de centro. Agora tenho um par. Perfeito! Fiz pose na estação de metrô, mise-en-scéne! Claro que não iria perder uma chance dessa!

O sol brilhou no dia de visita à Torre. Um presente ver a cidade do alto e seu desenho. Ver o berço da Île de la Cité, ver os principais monumentos e todos seus atrativos. O vento forte permitiu enrrolar ao cachecol na cabeça e fantasiar-me de muçulmana. Diversão à parte e brilho nos olhos em um cenário de pura fantasia. A Torre é sim, muito perfeita!

Essa cidade desperta sentimentos controversos, emoções. Confesso que desperta até uma certa melancolia que mora em mim. A banheira cheia de espuma no hotel permitiu um choro que tinha notas de saudade. Saudade de casa. Talvez.

Enchi a mala vintage de presentes. Não faltou espaço para os mimos perfumados da Fragonard. E nem para tantos outros souvenirs para as pessoas queridas. Carreguei a mala também uma lista de lugares que ainda voltarei para visitar. Trouxe o cheiro da chuva caindo no Rio Sena, trouxe o sabor do croissant quentinho do café da manhã do hotel, as cores quase que frescas do Monet colorindo o d'Orsay. E fiz questão de trazer bem embrulhadinho as memórias dos dias vividos e a promessa de uma volta. Em breve!

Paris e suas ruas cheias de novidades, Paris e suas esquinas cheias de surpresas. E mais uma vez não vi a Torre à noite. Não vi o encanto de suas luzes. Preciso de motivos para voltar outra vez. Paris é uma interminável festa! Palavras sábias de um grande escritor, década de 20.

E Paris precisa de motivos para voltar?