sábado, 25 de fevereiro de 2012

TUDO CINZA

Ainda bem que cinza e amarelo combinam.
Tá um sol amarelo lá fora
e aqui dentro tá tudo cinza.
Tenho que parar com isso
e fazer dessa combinação, um colorido feliz!


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

ROTINA

Todos os dias acordo cedo e enquanto insisto em ficar mais um pouquinho, sou expulsa da cama com o apito da chaleira e do cheiro bom de café que invade meu quarto. Um quarto que não tem portas. Desço pelos degraus da escada vermelha, apenas meio- lança me separa da cozinha, outro ambiente também sem portas. Sento-me à mesa e ela já está posta. Todos os dias à noite, antes de deitar, arrumo a mesa antiga de jacarandá com o jogo americano, e posiciono dois pratos, uma xícara em porcelana branca e outra esmaltada vermelha, duas tijelas, sendo uma verde limão e outra azul celeste e claro, todos os talheres necessários. Sim, apenas o que iremos usar no dia.

Sigo uma dieta durante a semana, tentando equilibrar as calorias, para que no fim de semana, eu possa permitir alguma extravagância. Todos os dias pela manhã, eu como uma fatia de mamão com aveia e mel. Depois que voltei do Rio, tenho feito o desjejum com iogurte natural, mel, aveia e mamão. É só para variar. Lá no Rio, fomos tomar café da manhã na Confeitaria Colombo e foi servido iogurte natural. Achei uma delícia, depois obviamente, do tradicional pão de leite amanteigado.

Esse ano, resolvi sair da rotina e frequento todos os dias a academia à noite. Até o ano passado ia logo cedo, antes da sete horas já estava lá. Pelo menos tento ir todos os dias. A grande verdade é que eu não vou todos os dias. Confesso. O exercício me ajuda a manter a forma, saúde e permite que eu aprecie uma boa cerveja nos fins de semana sem culpa!

Lavo os meu cabelos todos os dias. Ele é oleoso e nesses dias de verão, gruda que nem chicletes na minha cabeça. Um horror! Livrei-me da chapinha e do desgaste do salão e há algum tempo saio todos os dias com os cabelos molhados. Durante o trajeto para o trabalho, ele ganha uma forma ondulada, naturalmente seco com a brisa da manhã.

Todos os dias antes de sair, arrumo as almofadas em cima do sofá da sala e vou até o quintal ver se tem alguma novidade no jardim. E fico feliz da vida quando vejo uma folhinha nova brotando ou uma flor desabrochando. Mistérios da natureza que completam meu dia.

Todos os dias no escritório, respondo os emails, apesar de já ter os lido ao amanhecer. Essa história de internet no celular, é bom e ruim ao mesmo tempo. As notícias chegam rápido demais!
E é lá que passo a maior parte do meu dia e o meu trabalho não me permite qualquer rotina. Isso é muito bom. A cada dia uma novidade, um cliente novo, novas propostas e novos desafios.
Em um mesmo dia escolho a cor do abajur do quarto de uma cliente que acabou de mudar, minutos depois tenho que autorizar a paginação de piso de um mármore caríssimo de um cliente super exigente e quando o telefone toca, é um outro perguntando se a inclinação do telhado está compatível com o pé direito desejado. Às vezes tenho que sair correndo e ir ao encontro de uma cliente que está desesperada porque a cor especificada não é igual a do catálogo. Gente, prestem atenção: arquitetura não é uma equação matemática, ela envolve sentimento, emoção. Arquitetura é sensibilidade. Um cor nunca será igual ao do catálogo e jamais será igual a da casa o vizinho. As formas, incidência de luz, materiais empregados, influenciam na cor, assim como a lua influencia no corte de cabelo. Entenderam?

E depois que volto suada da academia, é hora daquele banho gostoso e hora de vestir a camisola perfumada guardada na gaveta. Coloco sachês entre as roupas de cama e minhas camisolas. Isso faz com que exale um cheiro de seja bem - vindo!
Sento-me à mesa novamente, a mesma de jacarandá e aprecio o alimento gostoso com calma, vejo o noticiário enquanto conversamos sobre o dia. Só apago as luzes da cozinha quando a louça já está lavada e com tudo no lugar. Tento ser uma boa dona de casa. Mais tarde, permito o acolhimento no quarto, junto dos lençóis brancos (branco total mesmo, que nem propaganda de Omo). Já acolhida e com os travesseiros bem posicionados, leio o jornal por inteiro e depois vejo o que está passando na rede Telecine. Que bom! Só filme repetido! Eu gosto, principalmente aqueles de comédia - romântica que só me divertem. Coloco a TV no modo sleep, sim , logo logo eu vou dormir sem perceber.

Peraí, mas não antes do beijo de boa noite!




domingo, 12 de fevereiro de 2012

OBSERVATÓRIO

Comecei a preparar a mala já tarde pra quem ia pegar a estrada bem cedo no dia seguinte. O bom que é que estou aprendendo a simplificar. Seriam apenas quatro dias no Rio e o guarda roupa não precisava estar todo, inteiro dentro de uma mala tamanho médio. Ainda mais para uma cidade que necessita de usar pouca roupa. Levei na bagagem apenas 01 vestido, 01 short, 02 camisetas, 01 saia, 02 opções de saídas de praia e várias opções de biquinis. Esses sim, permiti algum exagero. Peças pequenas que caberiam em qualquer cantinho. Eu precisava estar bem vestida para o programa principal: a praia, o céu azul e o calçadão.

Mas o fato é que a praia só foi pretesto. Gosto de conhecer os lugares por onde ando, vasculhar o desconhecido e fazer programas de turista sim, mas também permito o inusitado, viver o encantamento não imaginado. E de fato foi assim. Depois de várias tentativas frustadas, consegui nesse verão voltar no Cristo Redentor. Foi lá de cima que pude apreciar em um giro de 360 graus cada pedacinho dessa cidade linda onde o verão acontece.

No domingo pela manhã, dispensei o café do hotel, que cá entre nós era muito ruim ( aliás dispensei todos os dias!) e fomos para o Parque Lage, aos pés do Corcovado. Uma propriedade generosa datada de 1800, um casarão de estilo Eclético com um pórtico proeminente na fachada e um pátio central com piscina, onde ao redor dela, várias sombrinhas brancas filtravam a luz daquele dia de céu extremamente azul. Como hoje abriga a Escola de Artes Visuais, pude ainda encantar-me com as obras de artes em exposição.

Mas o melhor foi a saideira no Bracarense, típico bar carioca no Leblon, lugar esse que me atrai de montão! Foi lá que pude grudar meus olhos e ouvidos na mesa ao lado, onde pude bisbilhotar um história deliciosa entre pai e filha.
Ele chegou com pelo menos 01 hora de antecedência do tal encontro. E falando sem parar ao celular, combinava com outra pessoa o desfecho da história. O combinado era que assim que ela chegasse ( sua filha) ele enviaria uma mensagem e o outro envolvido na história chegaria como quem não quer nada, apenas uma coincidência de encontro. E depois de pelo menos três chopes para disfarçar a ansiedade, vejo brotar um sorriso largo naquele homem de meia idade parecendo criança olhando para a esquina mais próxima. E de fato era ela: linda, loira e depois pude comprovar que era muito doce. Muitos abraços e muita cumplicidade que inebriaram meu olhar. Prestei atenção em tudo: falaram sobre trabalho, família, amores, estudos, projetos do novo ano, ...foi quando chega o tal fulano envolvido na trama. E é ele que traz a boa nova do ano: um apartamento para a "filhinha", era assim que ele carinhosamente a chamava.
A verdade é que fiquei ali observando histórias alheias, mas não pude deixar de comprovar através daquele pai que tinha traços no rosto semelhantes aos de Vinícios de Morais, os olhos brilhando para uma filha que nem o pôr -do -sol em alto mar.
Deixei essas histórias naquela mesa de bar e despedi-me do Rio com um olhar fascinante da Cidade Maravilhosa.