sábado, 31 de março de 2012

CANÇÃO DE OUTONO

Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o própro coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles
que não se levantarão...

Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...

Cecília Meireles

domingo, 25 de março de 2012

MADAME ZÍ

Em um dia de delírio, confesso, um pouco cansada da correria do dia, fiz de conta que minha vida poderia ser mais ou menos assim:

Acordo pela manhã, em um quarto escuro, sem saber das horas (isso pouco importa!) e dirijo-me para a mesa cuidadosamente posta, para tomar meu café da manhã, sem pressa. Abro o jornal e vejo as notícias do dia, enquanto saboreio calmamente mais uma xícara de café.

Calmamente, volto para minha ampla suíte e me preparo para o banho, pois em seguida vou para a academia. Lá, meu personal me aguarda para mais uma sessão de ginástica. Após os exercícios, faço uma pausa para saborear uma deliciosa salada de frutas, enquanto observo as pessoas que chegam e que vão.

No caminho de casa, passo na feirinha e compro verduras para o almoço. Calmamente escolho as mais frescas, essas que seduzem com cores e aromas. Encontro uma vizinha e trocamos receitas. Vejo os biscoitos caseiros na barraca do lado e enfrento o dilema em compra-los ou não. Meu pensamento me convence que amanhã é só caprichar na aula de spinning para compensar minhas vontades. Saio da feirinha feliz com minhas verduras, legumes e biscoitos adocicados, sem culpa e sem pressa.

Chego em casa e vejo que está tudo no lugar e percebo no ar um aroma fantástico vindo da cozinha: o almoço logo será servido.

Consulto minha agenda e lembro que marquei com uma cliente às 15 e 30 em uma loja de tecidos. Calmamente, tomo um banho e de frente para o meu closet, muito organizado, fico com muita dúvida sobre o que vestir. Olho pela janela e o tempo e meu estado de espírito me ajudam a decidir o look do dia. Separo minhas roupas e vestindo meu roupão de seda, sento-me à mesa e almoço calmamente seguindo a orientação da nutricionista de mastigar trinta vezes cada porção.

Após um breve cochilo, levanto-me e me preparo para ir trabalhar. Calmamente escovo meus cabelo, faço meu make e passo o perfume preferido. Pego minha bolsa e dou uma última olhada no espelho antes de sair. Tenho que ter certeza que estou realmente linda.
Passo no escritório, vejo como está o projeto em andamento. Só faço um projeto de cada vez e tenho tempo de dedicação integral para cada cliente. Ainda desenho com a  régua T e meu traço carrega personalidade. Calmamente vou ao encontro com minha cliente. Chego na loja de tecidos e lá é uma festa! Precisamos fazer todo o enxoval do quarto com cobre-leito, almofadas, cortinas e capa da bergere. As cores e texturas prometem um composê lindo!

Durante o trajeto, combino um jantar com o marido. Já em casa, minha massagista me aguarda. Aproveito esse tempo para relaxar. Fecho os meus olhos enquanto minha musculatura sente o relaxamento necessário.

Calmamente preparo meu banho (agora na banheira!) e me preparo para o encontro. Muito perfumada e em boa companhia, saboreamos um bom vinho e um prato delicioso, recomendado pelo Chef. Depois de uma noite linda, deito-me sobre os lençóis brancos e no aconchego do meu lar, durmo meu sono tranquilo. Tudo muito calmamente.

terça-feira, 20 de março de 2012

PRÓXIMA ESTAÇÃO, PARIS

Uma viagem histórica pelas estações do metrô parisiense.

Divertido pra quem gosta de história e é apaixonado por Paris. O autor narra a história da Cidade Luz através das estações de metrô. Livro para entreter, descobrir as ruas da cidade e embarcar na próxima estação.

Como boa mineira que sou, não quero perder esse trem!


quarta-feira, 14 de março de 2012

Poesia

"Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me bem devagarinho".

                                                                                                              Mário Quintana

Hoje é dia da poesia, ouvi essa frase no jornal da tarde e gostei!

terça-feira, 13 de março de 2012

ESTADO CIVIL

Semana passada, enquanto preenchia meus dados pessoais para assinatura de um documento importante, perguntou:
- Estado civil?
- Solteira.

Depois de olhar fixamente para a aliança ouro-rosa na mão direita, perguntou novamente:
- Está noiva?
- Já sou casada!

Resumindo: sou solteira perante o cartório, noiva na ficção, mas na realidade, sou mesmo é casada.

sábado, 10 de março de 2012

HI-LO

Essa moda pega! Aqui, ela já tomou conta de todos os ambientes. Trouxe essa tendência de moda para a decoração e pontuei minha casa com peças de alto valor agregado com outras assim, como dizem os fashionistas mais "podrinhas"! Misturar estilos, tendências, peças de família, lembranças de viagens, conferem personalidade na decoração e contribuem para para dar alma na nossa casa, tornando-a um lar de verdade.

Casa para mim é assim: as mesas de centro, são formadas por malas antigas, herança de família e caixas de vinhos encontradas no passeio da vizinhança. Juntas, ocupam o centro da sala e apóiam meus livros, inspirações da arquitetura.

O armário da cozinha que era fixada na parede, teve que dar passagem de ar em função do mofo e o improvisado, virou permanente: ele está apoiado sobre tijolos e as portas, essas aposentei temporariamente. É a minha vendinha!

Ainda na cozinha, os eletrodomésticos, todos em aço inox, combinam com a mesa de jacarandá antiga e o efeito de casa de vó: um coordenado de cortinas que fazem a vez de armários. Espaço pequeno, acolhedor e sem dúvida, gostoso de preparar o alimento do dia a dia e mais ainda, lugar de encontros e revelações. Essa cozinha tem cheiro de Café Brasil.

No meu quarto, de um lado tenho uma mesa assinada onde o tampo imprime o mapa de Paris e o pé da cama acolhe um baú antigo, bem antigo, onde guardo minhas roupas de cama. O armário que abriga minhas roupas, esse já estava aqui quando cheguei. É de sucupira, com portas de treliça que permitem que o ar e a energia circulem. 

Esse espaço generoso, abriga minha história, minhas memórias e meu jeito de viver.





domingo, 4 de março de 2012

NA MINHA CASA

Na minha casa, tem teto, mas não tem portas, é uma casa muito engraçada. Aqui, vejo a escada vermelha subdividindo os ambientes, são quatro meio-níveis que setorizam cada espaço. À medida que vou subindo, vou descobrindo. À medida que vou subindo, mais vou gostando. E o ponto de parada está bem ao meio: minha cozinha, claro! Ela se expande para o quintal onde posso secar meus lençóis brancos ao sol e exalar o cheio suave do amaciante.

Na minha casa, a sala não abriga um sofá de desenho contemporâneo, inspirado no design de Milão. Lá tem um sofá macio, acolhedor que meu pai comprou há mais de vinte anos atrás. Espuma macia que permite o cochilo nas tardes de domingo. Na minha sala, pontuo com objetos meus, emprestados, ganhados ou comprados. A TV antiga está sob a prancheta de mola hidráulica Archimedes e sob ela, a verdadeira régua T, esperando mais um traço bem pensado. Até gosto dessa de 29", ela deixa as pessoas mais "magrinhas". Lá no meu quarto, outra TV mais moderninha, deixa a mesma apresentadora, por mais que se esforce na dieta, bem rechonchuda!

Na minha casa, tem lavabo. Pintei as paredes com a cor predileta: amarelo quindim!

Na minha casa, quase não tem cortinas. Apenas as coloquei na cozinha. Ela faz a vez de armário debaixo da bancada e a outra filtra a luz logo pela manhã entrando pela porta de acesso ao quintal. O composê entre o xadrez e o floral emolduram meu jardim com flores.

Na minha casa, o meu quarto é generoso, bem generoso. Ele é o meu pouso, minha recolhida.  E nos dias de inverno, permite que o frio se instale. É lá que que permito a leitura, reclinada na chaise na melhor versão off. É de lá com a janela aberta que contemplo o vai e vem do balanço da árvore grande. Essa noite, ela anunciou que daqui a pouquinho o outono vem aí.

Na minha casa, o quarto de cima, espera por seus hóspedes. Esse quarto abriga os mistérios do namorido. Já percebi que é lá que ela esconde seus segredos, território esse que não devo ir. Respeito e até gosto desse enigma.

Na minha casa, vejo meu retrato. A minha casa tem alma.

Na minha casa, mora a realidade. Aqui também tem gente e por isso, vejo as imperfeições.
Mas mesmo assim, ainda acho que minha grama é bem mais verde que a do vizinho. Ela é cultivada em solo fértil.