segunda-feira, 30 de julho de 2012

FRAGMENTOS 3

Encontrei um texto antigo que fala um pouquinho de mim e de você!

EU SOU VOCÊ

Eu sou aquela pessoa que desenha o espaço para outras pessoas habitarem. Eu sou aquela que invade a casa dos outros e invado tanto a intimidade até descobrir se o banho terá 02 chuveiros ou não. Costumam fazer reuniões durante o banho? Pergunto. Entrevistando e questionando busco o máximo de referências com a meta de atingir o alvo. Descobrir o outro. Desafio dessa profissão linda de desenhar sonhos, projetar realidades. Sou um pouquinho de cada cliente. Cada um com seu credo, cada um com sua vontade, cada um com sua ansiedade. Sou um pouco do cliente legal, do ansioso, do divertido, do prático, do objetivo e do sonhador. Adoro essa última opção!

Eu sou aquela menina que cresceu vendo o pai ligar o ventilador para dormir. Eu entendi que o barulho do ventilador abafava os demais... e com isso consigo concentrar no meu sono. Mesmo quando parece que vai levantar voo, sinto como uma canção de ninar. E carrego a mesma mania da minha mãe de guardar o controle remoto debaixo do travesseiro... vez ou outra minha camisola o faz companhia.

E sou aquela que esbraveja quando me sinto ameaçada e depois percebo que não precisava. Em uma situação de perigo, enfrento. Às vezes, a vontade é de fugir. Mas não poderia... As mulheres dessa minha família são assim: necessitam de honrar uma defesa que a força dos braços não tem e descobrem outros mecanismos nessa luta pela vida. Eu sou um pouco dessa coragem de minha mãe.

Sou também a que aprendeu a comer de tudo e não permitir o desperdício. Acho pecado jogar comida no lixo. Meu pai já falou disso comigo e desde pequena não era permitido deixar nenhum grãozinho no prato. E isso eu aprendi direitinho, não tenham dúvidas! Gosto do meu paladar! Haja apetite!

E tenho uma mesma mania ansiosa de meu pai com os horários. E o mesmo comprometimento com o trabalho. Como meu pai, sou aquela que acorda pela manhã e liga o rádio para ouvir as primeiras notícias e é a mesma estação de rádio que ele ouvia. Cresci ouvindo na rádio um barulhinho de alerta a cada 15 minutos anunciando a hora exata. Era o meu timer da manhã antes do colégio. É o meu timer da manhã antes do trabalho.

Sou também a que busca ser justa e entender que o outro é diferente de mim. E nesse outro encontro dificuldades diferentes das minhas e aprendo que é necessário aceitar para conviver. Minha amiga Simone é assim: leal e justa. Ela percebe minhas dificuldades e aceita. E é com ela que também aprendi que se eu continuar a pentear meus cabelos com essa força toda que tenho, nunca terei cabelos sedosos como os dela.

Na minha memória afetiva vejo um pai simples. Naturalmente simples. Com hábitos, cotidiano simples. Na minha vida atual de casada tenho um marido assim: despertou em mim essa bagagem escondida em apreciar o simples. E eu sou como o Danilo: busco em minhas raízes minha identidade e percebo que ela se revela na simplicidade da vida e isso traduz em nosso LAR.

Aprendendo sempre com o outro, sou aquela que segura uma garrafa de água vazia na mão até encontrar o local ideal de despejo, aquela que dá passagem no trânsito, aquela que presta gentileza e diz por favor, e muito obrigada. Sou um pouco daquela moça atrás do balcão que faz o check-in com os cabelos bem penteados para trás e uma camada de rímel que dói para remover. Sonhei com isso um dia: ser chique e independente com elas! Sou como a atendente do balcão da doceria que com certeza fica enlouquecida com tanta guloseima. Sou os trejeitos desse povo que ri que chora e se enlouquece com as emoções. Sentimentos variados do dia a dia que o outro, o cotidiano desperta em nós. Sou a irritação do telemarketing e o choro de uma lágrima só que a televisão sensacionalista faz questão de mostrar em suas reportagens. Sou aquela entonação de quem vai dar notícia ruim. Sou uma pausa. Sou aquilo que nem vivi, mas que imaginei. Sou aquela que parada no trânsito morre de rir sozinha quando lembra de um fato engraçado. Sou aquela moça da risada alta, solta e larga quando me sinto liberta. Nesse caso, sou um pouco Fafá de Belém!

Sinto-me um pouco vovozinha quando queria ter nascido em 1940 e ter sido rica. Claro! Queria ter morado naqueles casarões com jardins imensos e de arquitetura Art Déco. Explicação dada a essa paixão pelo vintage, pelo retrô. Eu sou a moça da capa da revista antiga no melhor estilo Pop Art.

Sou um pouco da minha amiga Renata com um radar que capta todos os sentidos do outro, sabe interpretar uma situação e pega emprestada aquilo que temos de bom. Mostra as qualidades e não fica julgando as deficiências. Trocamos receitas, figurinhas, jeitos gostosos de arrumar a casa e deixá-la a cada dia com um ar especial. Sempre tem coisa nova... tem que prestar atenção para não perder nenhum detalhe! Visitem nossas casas!

Sou um pouco dessas minhas amigas seguidoras da blogosfera que a cada dia escrevem palavras simples pra mim, porém verdadeiras. Sou como elas: um pouco bordadeiras, crochêteiras, artesãs, doceiras, cozinheiras, decoradoras, inspiradoras, amigas da moda, da beleza, da saúde e do bem estar.

Sou a que começou a escrever um blog motivado por um mergulho nas minhas memórias, com o desafio de resgatar minha história durante o processo de montagem e concepção dos espaços de minha casa, daquilo que chamo de LAR.

Eu sou esse corpo com características físicas e genéticas de meus pais. Mas sou uma pessoa em formação, pegando emprestado um pouquinho de cada um que frequenta minha vida, das pessoas conhecidas e desconhecidas, das que existem e das que imaginei; fazendo de mim constantemente, um ser como você.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

CASINHA DA VOVÓ

Na casa de vó tem piso vermelhão,
toalha xadrez sobre a mesa
jardim florido
e cortininha debaixo da bancada!

Tem também mala de viagem antiga,
fotos de família,
banqueta de artesão, velhinha, muito velhinha
e horta perfumada no jardim.

Casa de vó tem alegria,
conversa na cozinha,
sempre cheia,
macarronada com frango,
gente feliz!








quinta-feira, 19 de julho de 2012

FRAGMENTOS 2

Mais uma vez, visitei meu blog e encontrei uma descrição da casinha que eu gostei!
 
 
Nossa casa deve refletir uma sensação de bem estar, um porto seguro. É no nosso lar que revelamos nossa intimidade, jeito de viver, revelamos nossa descontração com as pessoas que chegam e acolhemos com conforto e simplicidade.

Nos detalhes, enxerga-se o charme. O charme simples de uma almofada colorida, o charme de uma peça de herança de família, o charme de uma idéia inusitada que empresta o glamour necessário para encantar o olhar e aguçar os sentidos.

Da cozinha com jeito de sala, lugar de receber, sinto o cheiro da comida boa e o prazer conversas, do bate papo, onde os segredos são revelados. A mesa posta com delicadeza convida sempre para sentar-se, sentir-se a vontade e as bebidas bem escolhidas, torna o ambiente permissivo para brindar a vida.

Do quintal, vejo o beija flor cumprir seu papel de encantamento pela natureza, vejo a chuva que cai fazendo um barulhinho bom, as plantas que crescem e se renovam a cada estação. Os perfumes se misturam e a profusão de cheiros da cozinha e quintal, reverencia o sentido do encontro.

Da sala, a maciez do sofá e o colorido das almofadas, acolhem em momentos simples e sempre especiais. O tapete, os livros, os objetos pessoais, os móveis revelam a minha história. Minhas memórias, meu jeito de viver.

Do meu quarto, a cama macia permite a pausa para o descanso, a alvura dos lençóis acolhe o amor pela vida. A janela abre-se para uma árvore generosa, bonita de se ver e lindamente orquestrada pelo vento. Um luxo à parte.

Meus pés descalços caminham por pisos diferenciados a cada ambiente da casa. Cada textura, cor, uma sensação. Maneiras diferentes de encantamento pelo simples. Minhas mãos preparam o alimento, permite o toque e meus braços abraçam com carinho as pessoas que chegam.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

MORRE LENTAMENTE

" Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um feito muito maior que o simples fato de respirar. Somente a ardente paciência fará com que conquistemos uma esplêndida felicidade"

Martha Medeiros

sábado, 14 de julho de 2012

SEM NOÇÃO


Hoje eu acordei cedo, como de costume, e não consegui mais concentrar no sono que talvez poderia voltar. Nem meu edredom branco e o frio instalado no quarto, foram capazes de me convencer. A inquietação tomou conta de mim e na cozinha, enquanto a chaleira não apitava, fui para o quintal espiar o jardim.

E fiquei pensando, analisando minha trajetória até aqui. Arrependida de algumas coisas que fiz? Sim! Arrependida de outras tantas que deixei de fazer? Sim! E se pudesse voltar no tempo, faria muitas coisas de novo, outras faria melhor. Muitas repetiria a dose.Outras que até já esqueci, talvez viveria de outra forma.

E se tivesse sido equilibrada até aqui, seria uma chatisse. Nada para melhorar? Não, eu nunca fui totalmente certinha. 

Pensei nas muitas vezes que magoei alguém, que xinguei, esperneei desnecessariamente; nas vezes que fui incapaz de ajudar, colaborar, nas inúmeras vezes que pisei na bola. E nas tantas outras que não tive a capacidade de pedir desculpas e de perdoar. E nas outras que tive que abaixar a crista, engolir sapo. Arrependo de ter falado demais. A conta sempre chega depois e é cara.

E dou risadas, quando lembro dos muitos bons momentos vividos, nas pessoas que passaram na minha vida, lembro dos amigos que vieram e foram embora e dos queridos que realmente ficaram. Das pequenas loucuras que fiz atrás da felicidade. De fazer da vida uma festa! Lembro tristemente de ficar grudada ao lado do telefone, alimentado a promessa de uma ligação. E lembro de chorar, sofrer, lamentar a ilusão de um amor que não ia chegar naquele momento.

E lembro das atitudes e decisões certas que mudaram minha vida, dos acertos como a escolha da profissão, do meu amor e do meu lar. Isso eu não mudaria. E se não tivesse a firmeza em escolher minha casa, da insistência em querer mudar, estaria hoje muito arrependida. 

E penso nas loucuras que fiz como dirigir com excesso de bebida, de voltar para casa bêbada, uma verdadeira sem- noção. De dar vexame. De não conseguir levantar para trabalhar no dia seguinte por causa da ressaca. E lembro também de ter beijado mais de um em uma mesma noite. Não tem problema, esses não eram para casar mesmo. 

Ainda gosto de ficar nas festas até acabar, de ser a última a sair. De pedir a saideira. Não se preocupem: hoje eu volto de táxi! Ainda gosto de ouvir música repetida, de organizar as almofadas antes de sair de casa e dormir com o ventilador ligado mesmo nos dias de inverno. De vez em quando ainda sou uma garota má.  Sou má quando tenho a certeza que poderia ser melhor. De não servir bem o meu próximo. E choro por ser assim bem arrependida.

Penso em meus pais, que tantas vezes os desobedeci, nas inúmeras vezes fui cruel. E por muitas vezes eu também achar que foram cruéis comigo! Tudo pela boa educação e bons costumes. E pergunto a Deus até hoje, porque uma convivência tão curta com meu pai.

E penso nas muitas coisas que ainda vou viver, errando, arrependendo, querendo fazer de novo. Penso também nas tantas outras que vou dar muitas risadas depois. Vida que segue.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

FRAGMENTOS


Revisitei meu blog, separei um texto antigo e presente no meu modo de sentir:


E finalmente cheguei à cozinha. Lugar preferido da minha casa. É daqui, debruçada sobre uma mesa de madeira antiga, cor de jacarandá, com marcas do tempo, que permito contar certos velhos costumes. Permito dizer que o tempo faz bem, que a saudade faz-me recordar memórias e lembranças lindas, guardadas com preciosidade em meu coração. A cozinha distribui os aromas, permite a acolhida, o papo gostoso e o desabafo em conversas sem hora para acabar. É quase sempre ao redor de uma mesa que o verdadeiro encontro acontece. Vale contar sobre o dia a dia, essa rotina necessária, falar sobre nossos amores, essas paixões cotidianas e os recalques do coração. Vale espremer a alma e deixar cair uma lágrima ou mergulhar nos pensamentos, nas falas bem colocadas e deixar extravasar  um sorriso largo. Entre amigos, pessoas queridas, é assim. A intimidade revela-se em um presente embrulhado com fitas largas e coloridas.

Olho para a  "vendinha", um armário sem portas na cozinha e vejo meus ingredientes,  temperos essenciais para o almoço do fim de semana. Guardados ali, tenho alguns com data vencida. A salsa desidratada, acumulou um cheiro que já não mais aromatizava o preparo dos alimentos. Prefiro um salsa bem hidratada e foi isso que fiz: plantei ervas que gostaram da chuva mansa e floreceram, distribuindo aromas e sensações frescas em meu jardim. O dia hoje tá cinza lá fora, aqui dentro, vejo uma vendinha colorida, no melhor estilo color block da moda!

Lá em casa, também era assim: a hora do almoço aos domingos, uma festa. Aprendi a cozinhar ainda menina, na categoria ajudante de cozinha, lavando e auxiliando e logo eu e minha irmã assumimos o cardápio dominical. Costume gostoso de seguir. Hoje posso encostar a mesa de jacarandá no canto e permitir nesse espaço de meros nove metros quadrados, um lounge, onde posso dançar, sorrir e me divertir. Dança comigo?

Sinto saudade de momentos não vividos. Parece um futuro roubado. Fantasio o que poderia ser bom, o que poderia ter mudado meu destino. Procuro situações onde a minha família completa, inteira, reunida em uma mesa grande desfrutando de momentos inesquecíveis. A saudade hoje acordou com cheiro de macarronada com batatas, com cheiro de um frango bem assado e molho de tomates frescos. Fechei meus olhos e logo fui servida com um café passado na hora. Cheiro de infância, cheiro da lida do dia a dia. O mês de dezembro é assim, uma reticência entre o que está terminando e o novo começo. Precisamos dessa pausa, esperando a interrogação do próximo ano que virá. Novas surpresas e novos desafios. Novos momentos para depois, virarem lembranças.





terça-feira, 3 de julho de 2012

FLORES PARA CAROL

Tem um post lindo, inspirador em homenagem à caZInha lá no blog da Carol!

Acessem: http://madamemorgana.blogspot.com.br/

Carol,
flores parisienses para você!






domingo, 1 de julho de 2012

D. TECNOLOGIA


Vi essa semana uma foto postada no facebook que me chamou atenção. Ela se desenha com um grupo de adolescentes reunidos e cada um manuseando seus aparelhos de telefone. Conversavam individualmente nas redes sociais. Cada um envolvido com seu mundo. Fiquei meditando sobre a dura realidade: o que afinal significava aquele encontro? Encontro de tecnologia controvérsia que reúne e separa. Aproxima e segrega. Tecnologia bipolar. Como assim?

E nesse tempo ter que estar conectado, ter que responder prontamente um email, ter que consultar o facebook que mais parece uma disputa de egos e da vaidade, perdemos o romantismo do tempo e sua sedução. A velocidade da informação disputa espaço com o conhecimento. Tenho preguiça de " ter que responder " a tempo e a hora. A Roziane ariana e impulsiva de vez em quando sai de férias. São nesses momentos que permito que o silêncio que mora em mim se instale. Prefiro o silêncio a ter que ver e ouvir um monte de bobagens. O silêncio também encanta, preenche o vazio, é mágico, além de ser uma ótima companhia.

Colecionava papéis de carta. Perdi minha pasta com minha coleção. Márcia, minha irmã, por acaso está ai com você em Salvador? Tenho uma caixa linda, no melhor estilo vintage, que abriga alguns poucos papéis de carta. Adoro a escrita pensada, a letra desenhada. As frases conectadas com uma mensagem que foi antes elaborada no pensamento. A firmeza das mãos e a caneta pontuada com cor. Acho emocionante encontrar uma carta ou um bilhete guardado. Confesso que gosto até do cheiro. Tem aroma de história.

Diante desses fatos confesso que sou pouco tecnológica. É, tenho certeza que já deu para perceber. Tenho preguiça de entender todos os recursos de um smartfone, do iPad, ifone. I. Eu. Tá vendo? Individual.

D. Tecnologia, vou te enviar um recado e vou ser bem sincera: você me assusta! Será que dá pra parar? Eu não dou conta dessa imensidão de recursos disponíveis. E fico pensando: pra que tudo isso? Aí chego a conclusão que nasci na época errada. Século XXI, acho que você não me pertence!