domingo, 12 de agosto de 2012

PARA MEU PAI

E a saudade cedeu espaço para as doces lembranças. Essas se vestiram daquela pontinha de sol que mesmo escondida atrás das nuvens desse dia cinza, brilhou meio tímida no meu jardim. 

As lembranças permitiram um sorriso de menina enlaçadas nos momentos vividos. Lembrei da banheira que ele comprou, daquelas bem velhinhas, estilo vintage dos dias atuais, que servia de piscina nos dias quentes. E nos dias frios também! Para a meninada, não existia tempo ruim e para mim, era uma piscinão. Revezava o espaço com minha irmã naqueles meros 80cm x 120 cm não dava para as duas nadarem ao mesmo tempo. Posicionada para a fachada oeste da casa, no meio do quintal, o sol era garantido a tarde toda, até ele se pôr atrás de um morro logo à frente. A única sombra era do pé de limão, pode ser limão capeta, não sei mais, mas tinha uma fruta ali sim. Tinha também morangos nos dias de inverno, tomates cereja, pés de alface, couve, mexerica. Tinha mais verde nessa horta que os aqui descritos. Ah, tinha também uma roseira colorindo esse quintal.

Divertido era sua chegada do trabalho. Tinha bala, chicletes, pirulito para mim, minha irmã e mais ou menos outras vinte crianças que já sabiam dessa rotina. Tinha guloseima para todo mundo. E não era brinde, nem prêmio por bom comportamento, nem nada. Era porque gostava. Ele divertia que nem criança. Aos domingos antes do Fantástico, ria do Didi Mocó que nem criança, nessas horas, também era um de nós.

E nesse dia de domingo, a saudade com gosto feliz, queria almoçar macarronada e após a  soneca, ir ao cinema e depois comer pizza no Pizzaiolo. Voltar para a casa com sono e com a certeza que o próximo fim de semana não seria diferente. 

A saudade de gosto infeliz me lembrou que a mesa de almoço aos domingos teria uma cadeira vazia, não mais iríamos juntos para o Rio de Janeiro e nem ia ter mais carona para a aula. E também não ia ouvir mais uma vez antes da prova de história seu relato que aprendeu sobre o Descobrimento do Brasil. E tive que começar a prestar atenção na garota do tempo do telejornal, porque o meu "garoto do tempo", não mais estaria ali observando o clima e ditando as previsões do dia seguinte. Não ia mais sentir o calor, o amor, o carinho. Não tinha mais abraço nem beijo.

Só saudade e tudo o que ficou.