sábado, 24 de novembro de 2012

JUNTANDO AS COISAS

E novamente me vejo retirando do armário, roupas que já não me pertencem mais. Roupas que podem vestir outras pessoas. Algumas delas, aquelas que mais amei nos últimos anos, me pediram para serem doadas. Acho que enjoaram do meu corpo. Aproveitei para fazer a sessão do desapego. Outras ainda com etiquetas, me deram o recado que não adianta insistir em um estilo que não é o meu. Outras, aquelas que tenho certeza que não usarei nos próximos dias, foram para a caixa grande de papelão e embaladas, serão organizadas em outro armário.

Com os sapatos, os mesmos quesitos aplicados: aqueles bem velhinhos, serão doados. Somente aqueles em bom estado. Esses podem levar outras pessoas a outros lugares. Aqueles insistentes em apenas ocupar espaço em um armário apertado, também calçarão outros pés. E juntam-se a essa caixa, aqueles que simplesmente não tem nada a ver.

Lá no alçapão tem muita coisa guardada: tem louças ainda embaladas, enfeites de natal, um papai noel grande, enceradeira, 50m² de taco, duas churrasqueiras, dentre outras coisas que temos manias de acumular. É o lugar de maior faxina. Mas tudo tem destino e o que não serve mais para mim, pode ser o número certo de outra pessoa. E isso é o que eu gosto muito de falar para os meus clientes: o mundo já está cheio de coisas como móveis, utensílios, adornos. Vamos aproveitar o que é bom. Repaginar, dar uma cara nova. É muito fácil comprar tudo novo e ficar com cara de show room de loja. Casa tem que ter personalidade, senão é uma casa sem graça, sem charme, impessoal, onde qualquer pessoa pode morar.

Os livros e as revistas espalhadas pela casa, estão sofrendo com o desapego. Só separei para o lixo da sexta feira que é o dia do caminhão da reciclagem, as revistas que não tem nada a ver. Tipo editorial de moda de três anos atrás, revista semanal com notícia velha, quer dizer, muito velha. O restante, não consegui. Seguem comigo.

O lugar preferido da casa também precisa ser reciclado. A cozinha tem um jogo de panelas que detesto. Cozinheira que sou, gosto de cozinhar só nas panelas que me satisfazem. O gosto da comida muda como por exemplo o modo como aquece e atinge a temperatura ideal. Pronto, fiz o desapego também com aquelas panelas que só serviam para ocupar espaço debaixo do vão da minha bancada. A cortina xadrez não precisa mais esconder uma bagunça indomável.

No meu quintal, nada a declarar! Nada para reciclar. Minhas plantas tem o toque das minhas mãos, tem minha alma. E elas respondem com delicadeza, com o perfume das flores pela manhã, com um broto verde germinando. Cresceram comigo e estão em terras férteis.

O meu mundo segue comigo.