domingo, 9 de dezembro de 2012

DO QUE VI E VIVI

E nesses últimos 36 meses vi um moça chegando por aquela porta com o coração cheio de vontade de ficar para morar. Pode entrar! Uma a uma, vi as caixas se acumulando naquele piso de marmorite vermelho e aos poucos, tudo ganhou seu lugar. Aos poucos, subindo e descendo a escada de vermelhão, permiti executar o lay out já traçado. É certo que a ansiedade não deixou nenhuma sem seu destino e em menos de 48 horas, todas aquelas caixas, agora vazias, pediram a reciclagem.

O espaço grande para o pouco que havia chegado comigo, aos poucos foi ganhando forma com minha vida emprestada. Tudo era bem vindo! A caZInha cresceu com muito charme e muito metida, foi parar na revista, no jornal, em vários blogs e na Casa de Valentina. Não faltaram manifestações de carinho e gentilezas com a Casa da Zi. Descobri na blogosfera, que sou um pedacinho de cada um que chega na minha vida. Cada palavra, cada comentário aqui nesse espaço, renderam-me incentivos para continuar. Muito à vontade, revelei meus segredos, contei de coisas que muitas vezes calaram minha emoções. Esse divã, é abençoado.

Por aquela porta vi muita gente chegar. Vi gente se emocionar e me pedir para ficar por aqui, por pelo menos uma noite, para ter a sensação de dormir nesse lugar. Ao redor daquela mesa da cozinha, a mais linda, segredos das pessoas queridas também foram revelados. Já disse que entre amigos, entre os verdadeiros amigos, é assim. E ao redor dessa mesma mesa, vi várias vezes, meu jardim, lindo, inteiro e florido, recebendo a visita de seu admirável beija-flor. Por trás daquela cortina igualmente florida, deixei a luz filtrar dentro desse ambiente preferido da casa, para se encher apenas do silêncio.

Meu quarto, generoso, também deixou a luz se instalar. A calmaria quebrada com o vai e vem da árvore grande, orquestrou várias vezes o anúncio dos dias mais frios, das chuvas e da brisa fresca do verão. Por aqui, vivi com riqueza de detalhes as quatro estações.

Do meu quintal, vi gente clamar a felicidade, vi cantoras desafinadas e vi a Charanga do Galo cantar o hino valioso. Também passaram por aqui, mestres gourmet e cervejeiros e não faltaram churrasqueiros de primeira linha. As aulas de culinárias foram testadas e aprovadas. O encontro é um prato gostoso de preparar.

Lá do outro lado do muro, vi também gente querendo participar dessa festa e mesmo agora no final, a caZinha ganhou ares de Toscana, e estendeu seu tapete vermelho para pessoas queridas que vieram para ficar. Para sempre!

A vizinhança, permitiu que eu saboreasse o melhor pudim de leite condensado do mundo! Não, permita-se retificar, o da minha mãe, é o melhor. Tem o tempero do amor. Nessa mistura de sabores também pude ofertar um pouco do que sou. É a partilha, a oferta, a doação.

Aclamada não só com belas palavras, com sentimentos valiosos de carinho, mas também com mimos dos que chegaram, vejo-me hoje juntando tudo isso em outras caixas. Junto também a saudade, as memórias, as belas histórias e a certeza de viver igualmente feliz em um outro lugar. Tudo segue comigo.

Começo apartir de agora, desenhar uma nova história, uma nova Casa da Zi.