domingo, 31 de março de 2013

Tarde de delícias!

Ainda não está totalmente pronta, mas a cozinha gourmet já é o lugar preferido da casa!
Aliás, uma casa arrumada, constrói-se bem devagarinho, sem querer, juntando idéias, histórias e memórias daqui e dali...e de repente: um lar!






domingo, 10 de março de 2013

Quaresmeiras

As ruas vestiram- se de flores. Frondosas, as quaresmeiras despontam magicamente a primeira florada vestida de branco, passa posteriormente por um rosa da cor -do -tom -da -Suvinil- Manacá-da-serra, até despertar um roxo cristão. Um presente para os olhos, um brinde à natureza. Conhecida por florescer nesse período da Quaresma, também coleciona nessa magia a mesma cor litúrgica da Páscoa.

A notícia chegou de surpresa. O Papa preferiu se calar e sugeriu outros rumos para a Igreja. Descontente e não convincente com essa instituição, também preferiu vestir de outras cores. O branco puro já não fazia mais sentido. Assim como as quaresmeiras, essa igreja precisa de solo fértil, profundo e irrigado regularmente. A beleza das flores precisa apenas de um trato simples.
A cor das novas roupas de Bento XVI continuará a ser branca, porém mais simples, discreto e recluso.

Em tom suave, ouço uma voz familiar, dessas que mesmo de olhos em fechados, reconheço desde a minha infância, pelo tom de melancolia. Boa notícia, sei que não é! Ainda menina, Gostava de ver essa profissional, de cabelos sempre longos através da televisão dar a notícia do dia. (Gosto até hoje!) Seu tom, como uma sinfonia anunciava a notícia que ninguém queria ouvir. Pausada, sem pressa, Ilze Scamparini, a correspondente quase italiana, desperta em mim, um pouco de tristeza, mas tristeza que gosto de sentir. Sua voz parece o pedido de uma pausa, uma reticência, uma reflexão. Enviada para o Mundo Velho, as notícias chegam depressa demais, com fala mansa mesclada entre uma respiração e outra.

E é assim que me vejo nesse período: abraçada por uma melancolia silenciosa. Os pensamentos que não são poucos, também me fizeram recolher. Aos domingos, as palavras do Padre Alexandre são imensamente bem vindas, é a hora exata onde a emoção toma conta de mim.
Tal qual a jornalista famosa, estou vivendo essa reticências e até aprendendo a respirar entre uma fala e outra.

sexta-feira, 8 de março de 2013

As Mulheres são Fantásticas

A Mãe e o Pai estavam a ver televisão, quando a Mãe disse:
- Estou cansada e já é tarde, vou-me deitar!
Foi à cozinha fazer as sandes para o lanche do dia seguinte na escola, passou água nas taças das pipocas, tirou a carne do congelador para o jantar do dia seguinte, confirmou se as caixas dos cereais estavam vazias, encheu o açucareiro, pos tijelas e talheres na mesa e preparou a cafeteira do café para estar pronta para ligar no dia seguinte.

Pôs ainda umas roupas na máquina de lavar, passou uma camisa a ferro, pregou um botão que estava a cair. Guardou umas peças de jogo que ficaram em cima da mesa.

Regou as plantas, despejou o lixo, e pendurou uma toalha para secar.
Bocejou, espreguiçou-se, e foi para o quarto.

Parou ainda no escritório e escreveu uma nota para o Professor do filho, pos num envelope junto com o dinheiro para pagamento de uma visita de estudo, e apanhou um caderno que estava caído debaixo da cadeira.

Assinou um cartão de aniversário para uma amiga, selou o envelope, e fez uma pequena lista para o supermercado. Colocou-os ambos perto da carteira.

Nessa altura, o Pai disse lá da sala:
“Pensei que tinhas ido deitar-te?!”.
“Estou a caminho” respondeu ela.

Pôs água na tijela do cão e chamou o gato para dentro de casa.

Certificou-se de que as portas estavam fechadas.

Espreitou para o quarto de cada um dos filhos, apagou a luz do corredor, pendurou uma camisa, atirou umas meias para o cesto de roupa suja e conversou um bocadinho com o mais velho que ainda estava a estudar no quarto.

Já no quarto, acertou o despertador, preparou a roupa para o dia seguinte e arrumou os sapatos. Depois lavou o rosto, pôs creme, escovou os dentes e acertou uma unha quebrada.


A essa altura, o pai desligou a televisão e disse: “Vou-me deitar”. E foi. Sem mais nada.

Carlos Drummond de Andrade