quinta-feira, 13 de junho de 2013

Ah....o amor!

Todas as cartas de amor...


Fernando Pessoa(Poesias de Álvaro de Campos)


Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)



Álvaro de Campos, 21/10/1935





domingo, 2 de junho de 2013

Nada ficou no lugar

Meu baú que antes ficava nos pés da minha cama, agora recebe os que chegam, logo ao lado da porta de entrada. Vários móveis, objetos agora ocupam outros espaços e em novas funções.

É assim uma nova casa, um novo lar e nada ficou no lugar.