quarta-feira, 16 de julho de 2014

Tempo amigo, seja legal!

Até outro dia eu tinha 18 anos. E tudo era lindo! Até sofrer por amor platônico, era lindo. Não tinha que me preocupar com a melhor marca de maquiagem e nem fazer escova progressiva no cabelo. Ainda bem que não faço até hoje! Gosto dos cabelos secos ao vento, esse super-secador-de-cabelos-natural. Acho lindo!
Até outro dia, e acho que na minha memória afetiva, até praticamente ontem, a minha única preocupação na vida, era passar no vestibular, e claro, estar linda para paquerar. Linda na medida, sem as frescuras atuais.

Gostava de escrever mensagens em cartões e entrega-las pessoalmente. Uma a uma. Ainda cultivo isso nos dias atuais. Fui presenteada há alguns anos com uma caixa de papéis de cartas super feminino, vintage, que tem até cheiro de tempo. Confesso que às vezes economizo na escrita só para tê-los, digamos, para sempre.

Até outro dia e não faz muito tempo, estávamos mais uma vez, todos reunidos naquela cidade do interior, conversando, rindo muito, gargalhadas que só fazem bem para o coração e olhando uns para os outros. Nada de smartphones conectados com o mundo e desconectados com a pessoa ao meu lado. Incrivelmente todos os programas de encontro para os próximos fins de semana davam certo! Eis o milagre do verdadeiro encontro!

Naquela mesma cidade, nesse início de semana, muitos de nós nos reencontramos. Encontro sem riso e sem alegria, só vela e tristeza.

E nesse mesmo dia, em tom de despedida escrevi:

" Sinto saudade de momentos não vividos, parece um futuro roubado. Hoje a saudade chegou com pressa dentro de um opala marrom cheio de cores, risos, com muita alegria! Lá dentro tinha todos os amigos, não importa se eram oito, nove, quinze ou vinte. Todos cabiam lá. E de estação em estação pegava emprestado um pouco da característica de cada um de nós, cada qual com seu jeito, sua mania, sua emoção. Sim, somos feitos das pessoas que passam por nossas vidas, da convivência, das atitudes, dos trejeitos e de tudo que fica no nosso imaginário.
Hoje o choro chegou de uma forma inesperada, igual choro de criança, mas não pra fazer manha, mas para tirar um pouquinho da dor do coração. Aprendi também que a dor deve ser sentida.

Hoje temos as lembranças, a saudade e tudo o que ficou.

Próxima estação? É com Deus, só Ele sabe o caminho"

Tempo, tempo, tempo, seja legal da próxima vez, ok?


T

6 comentários:

✿ chica disse...

Que lindo,Zi!1 É bem verdade isso. O tempo era outro, tínhamos tempo pra tudo e, sem conexões, tudo acontecia cara a cara. Sempre dava. De repente a volta para um mesmo ,lugar, um encontro em triste hora! E em geral, todos se falam e se prometem um novo encontro. Que sejam bons da próxima vez! beijos,chica

Zi Faleiro disse...

Sim, Chica, que sejam bons da próxima vez! Beijos!

Maria Célia disse...

Ei Zi
Adoro ler você, seus textos são muito bons, tem uma poesia, sem ser poema, não sei me explicar direito.
Desejo que os próximos reencontros sejam pra lembrar coisa boas e que o tempo seja camarada.
Beijo

Zi Faleiro disse...

Ei Maria Celia! O tempo passou e você continua com a mesma generosidade no carinho! Beijos!

Simone Azevedo disse...

Realmente foi um reencontro muito sofrido mas que ao mesmo tempo nos fez parar e repensar a vida! Daqui pra frente temos que tentar fazer diferente....

Zi Faleiro disse...

E tenho certeza que os próximos serão de pura alegria! Beijos amiga!