terça-feira, 26 de agosto de 2014

Um gigante



Consigo medi-lo no tamanho da sua simplicidade. Tão simples que chega a ser engraçado. É essa a medida que o torna grande demais. Grande no momento em que sabe incluir, agregar, agradar. Sabe doar sem medidas. Sabe incomodar o sorriso, que teima em não querer parar.

Grande por saber compreender o próximo, de maneira sutil,  sem ser clichê, colocando- se sempre no lugar do outro.
Grande demais por saber perdoar, todos os dias, nas grandes e pequenas atitudes.

Um gigante, quando busca todas as alternativas para fazer o outro que esbraveja, sorrir.
Um gigante também na sensibilidade sem medidas, no humor natural, na gentileza em servir e por me fazer sonhar.

Preciso tomar cuidado, para não ficar pequena demais perante esse gigante!

domingo, 10 de agosto de 2014

Zi na TV





Passei a infância inteira assistindo tv P&B. Preto e branco e mais 297 milhões de tons de cinza. Não eram apenas esses 50 tons dos dias atuais. Sonhava em ser o Teco, da dupla Tico e Teco. Sonhava, porque um belo dia, descobri que o seu nariz era vermelho. Aí, tudo mudou!

Um dia quis ser a Penélope Charmosa. Mas a vontade passou rápido. Eu não tinha  e nem sonhava em ter aquele cabelão loiro, nem era esguia e quanto menos charmosa. Nem tanto gostava do tom rosa. Minha cor é amarelo e ponto final. É melhor dar tchau para ela!

Na adolescência queria ser a Lídia Brondi, ou melhor, a sua personagem Solange na novela Vale Tudo. Amava com todas as forças do mundo seu cabelo vermelho e aquela franja reta. Amava o jeito como ela os prendia com simpatia e charme. Amava vê-la de um jeito todo moderno, queria sua profissão na novela e queria ser ela de todo jeito. Inteira, do jeito lindo que ela desfilava na tv. Nessa época, Graças a Deus, em cores.
Mas o fato é que minha mãe não permitiu que eu pintasse o cabelo. Na verdade, eu nem pedi. Levar um xingo desnecessário para quê? Melhor sonhar mesmo. O máximo que eu consegui foi cortar a franja. Só que a minha não ficava lisinha como a dela pelo simples fato do meu cabelo ser anelado. Nessa época não existia chapinha e quanto menos escova progressiva. Por um dia, tive os cabelos lisos, enrolados na touca e na cor castanho mesmo. E lá fui eu, serelepe pelas ruas me achando demais a Lídia Brondi, cheia de atitude.

Agora para tudo! Quem nunca, sonhou em ser Paquita? Quarentonas de plantão, assumam essa verdade em coro bem alto!

Nos dias atuais, se eu fizer uma auto- regressão, tenho certeza ABSOLUTA que já vivi na década de 20. E, claro, era rica! Morava no bairro Jardim Paulistano em São Paulo e admirava o jardim através das janelas com desenho Art Deco. Costumava passar o outono em Paris e nessa época eu já freqüentava o Café de Flore.

Em tempos de Downton Abbey já desejei ser a Lady Mary. Pela sua coragem, auto confiança e atitude. Mas já não quero mais. Agora queria ser a Lady Edith, tudo mudou no pós guerra. Ouvi dizer que ela vai virar uma intelectual e freqüentar as melhores rodas da Semana de Arte. Mas não quero saber de mais nada, não perco por esperar! Ninguém me conta, ok? Mas imagino que ela vai para Paris, e no Café Les Deux Magots vai conhecer o casal Fitzgerald e se animar com o irreverente Salvador Dali. Só fico imaginando... Pode não ser nada disso!


Quinta temporada, que dia você chega? Não agüento esperar tanto tempo!